Pensar Enlouquece. Pense Nisto.


Blog RSSficado e (quase) fechado para balanço

Aparentemente consegui RSSficar o meu blog, com uma preciosa ajuda do FAQ do InterNey. Se você acha que um espírito de nerd baixou em mim e pensa que estou falando grego ou algum dialeto típico desses fãs de Star Trek e RPG, clique aqui para desanuviar as idéias e conhecer um pouco mais sobre esse tal de RSS. A propósito: eu mesmo não sei se fiz a coisa certa, e se houver algum expert no assunto solicito o favor de verificar se cometi algum despautério em meu código-fonte (cartas para a redação). As versões RSS/XML de Pensar Enlouquece estão disponíveis aqui, aqui e aqui.

* * * * *

A tira acima, de mestre Laerte, ilustra uma breve pausa que darei nas atualizações deste blog. Nada de retumbante: preciso priorizar meus frilas e responder a todos os e-mails que recebi desde o Natal. Empilhados em meu winchester, as mensagens acumuladas formam uma Torre de Pisa que ameaça desabar a qualquer instante. Enquanto isso, deixo-lhes com um poeminha que escrevi há algum tempo, cujo resultado me deixou satisfeito. Volto em breve. :)

* * * * *

Sete Faces

I

Amar fragiliza
Mais do que eu gostaria de sentir
Mais do que eu me permitiria
Admitir.

Antes eu era mais livre
Mais estúpido
Mais inocente
Quiçá mais feliz.

Agora estou em tuas mãos:
Sentes o peso?
Sentes minhas aflições?
Minhas angústias caladas?

Estou em tuas mãos:
Estou tão frágil,
Estou mais feliz,
Mais temeroso deste mundo.

Cuida bem de ti,
Cuida bem de mim.
Porque já não sei me cuidar.

Cuida bem do meu coração
Que está atrelado ao teu riso;
Quando vigio teu sono
Tenho toda a paz do mundo.

Cuida bem de ti, meu amor,
Que já não sei mais
Viver sem teus olhos.

Amor tem sete faces,
e todas me amedrontam.
O mundo, sete mil faces,
e só uma me ilumina.

II

Vida:
piada amarga que ri de nós.

Amor:
válvula de escape à qual recorremos com desespero e esperança.

III

Três palavras tão repetidas,
tão banalizadas.
Por que me é tão difícil dizê-las?

IV

Somos náufragos do mesmo barco
Anjos traídos em busca da mesma cruz
Duas cabeças ocas que não pensam
Que buscam pela mesma efêmera bênção

Gestos gastos e mal fingidos
Sempre as mesmas rimas e metáforas
Piadas ridas, beijos babados
Como ecos vagos, vácuos de passado

Nossos olhos estão prenhes de farpas
Faíscas que rebrilham em gumes de frases
Vagas rompendo com falésias e mares
Traduzidas em francas ironias lapidares

Com amarga sabedoria e dissabor
Constatamos quão vãs foram nossas palavras
Míticas mímicas, joguetes do amor
Que nos enredou em trevas e trovas

Compositores da mesma canção
Dançarinos da mesma coreografia
Amantes no mesmo colchão
Sorrisos na mesma fotografia

Parceiros da mesma eterna solidão

V

Noites de insônia e ciúmes estúpidos.
Promessas, promessas voláteis e inúteis.
Flores. Bombons. Jantares. Motéis. Traições.
Vozes enferrujadas:
- Você me ama? Você me ama? Você me ama?
O terror indelével das desculpas decoradas:
- Você merece alguém melhor. Não quero estragar nossa amizade.
O sofrimento descascando, despojando o coração.

Amor é um disco riscado de blues.
Amor arma a arapuca, esfrega as mãos, afia os dentes.
Amor faz de nossos corações marionetes,
e gelatina de nossos cérebros.
Amor é foda.

O mundo não é para inocentes.

VI

Eterno o tempo inscrito no centro do teu olhar verde prata e céu
Beleza que ao tempo desacata o teu sorriso sombra de um véu
Desenho de giz o vento apagou mas e a cicatriz de um amor?
Restrito jogo sem regra ou juiz que fere alegra seduz desnorteia
Feliz de quem resistir decifrar tua teia estrela em noite negra

VII

Amar é jogar os dados na mesa.
Uns querem apenas amizade.
Outros, sexo.
Alguns entram para o mosteiro.
Amar emburrece. Não amar também.

Amar é mito.
Mito é aquela mulher que nunca se entregará para você,
e, mesmo se o fizesse, não aconteceria nada,
porque na hora H você broxa.

Amar sem ser amado
é combate ingrato e sem tréguas;
coiote apaixonado
perseguindo o papa-léguas.

Amar platonicamente
é amar apenas do pescoço para cima:
que desperdício!

Amar é sangrar uma torrente
de formigas vermelhas e raivosas.
Pois apaixonar-se
é construir uma imagem da pessoa amada
sem avisá-la antes.

Amar é renunciar
a muitas coisas,
mas também a maior transcendência
que podemos almejar
nesta vida.

Amar não é bicho de sete cabeças;
no mínimo, tem umas sete mil.

Escrito por Inagaki às 21h33
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Melhores de 2003 - II

• Música Nacional:

Sim, foi um ano de bons lançamentos. Não me desmentem álbuns como Áudio Retrato de Leoni (compositor dos mais subestimados sobre quem ainda escreverei um post), A Letra A de Nando Reis (que mantém excelente site pessoal), a estréia irregular, porém de qualidade, de Maria Rita Mariano (que regravou magistralmente "Encontros e Despedidas" da dupla Milton Nascimento & Fernando Brant) e Cosmotron, talvez o melhor CD de toda a carreira do Skank. Mas, instado a destacar uma canção dentre todas as gravadas em 2003, não hesito em afirmar: "O Silêncio de Iara", composição de Guinga com letra de Luis Felipe Gama, foi o grande legado musical do ano.

Consta que Chico Buarque, que esteve afastado do violão nos últimos dois anos escrevendo seu romance Budapeste, ao ouvir "O Silêncio de Iara" pela primeira vez telefonou para Guinga e vaticinou: "É a música do século". Não é exagero: a MPB por enquanto ainda não cunhou nenhuma música mais bela neste século XXI. Anteriormente gravada por Simone Guimarães, "O Silêncio de Iara" ganhou seu registro definitivo no álbum Noturno Copacabana, sexto da carreira de Carlos Althier de Souza Lemos Escobar, melhor conhecido por seu apelido de infância, Guinga.

Nascido em 1950, gravou seu primeiro álbum-solo (Simples e Absurdo) apenas em 1991, graças a uma iniciativa da dupla Ivan Lins e Vitor Martins, que criaram a gravadora Velas com o intuito principal de dar ao compositor carioca a oportunidade de finalmente gravar suas próprias composições. No mais, absurdos de um país que não dá chances a alguns de seus maiores talentos (e notem que Guinga está na cena desde os anos 60, tendo participado de registros históricos como ao tocar violão na primeira versão de "As Rosas Não Falam" na voz de Cartola).

Solenemente ignorado por nossas rádios, movidas a flashbacks e jabá das gravadoras, Guinga começou a ser reconhecido pelo grande público nos anos 90, graças a músicas como "Catavento e Girassol" (na interpretação de Leila Pinheiro) e "Você, Você" (parceria com Chico Buarque). Que a eloqüência de "O Silêncio de Iara" possibilite a mais gente tomar conhecimento da obra de Guinga, atualmente o maior compositor brasileiro.

Escrito por Inagaki às 00h25
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Melhores de 2003 - I

À semelhança da Marina W., começarei a publicar aqui minhas seleções de melhores de 2003 em diversas categorias escolhidas de acordo com o acaso, a começar por...

• Novidade Gastronômica:

Em um ano marcado por novidades esdrúxulas nas gôndolas de supermercados como o Ruffles Twist, a Fanta Morango, o Bis Laranja, o wafer Salclic nos sabores queijo, presunto e misto, o guaraná Kuat com laranja e o Toddynho Napolitano, não foi difícil apontar o melhor de todos os lançamentos:

Sonho de Valsa é um clássico dos bombons. Quem nunca se deleitou com este waffer recheado com massa de castanha de caju, e coberto por duas camadas de chocolate? Todo brasileiro que mora no exterior certamente sente falta deste bombom que é comercializado desde 1938 pela Lacta. Pois não é que 65 anos depois a fábrica de chocolates paulista finalmente descobriu o ovo de Colombo e lançou o Sonho de Valsa em sua versão chocolate branco?

Há quem possa dizer: oras, mas já não havia o Ouro Branco? Sim, mas além deste ter outro recheio (flocos de arroz com chocolate), faltava-lhe ainda o charme irremediável da embalagem do Sonho de Valsa, um bombom embalado por celofane colorido, sobre o qual é estampada a figura de um casal que dança envolto por notas musicais extraídas da partitura de uma valsa de Strauss. Ignore as imitações grosseiras que grassam por aí, como o Serenata de Amor da Garoto e o Sedução da Nestlé; pois, como diria Jardel, "clássico é clássico e vice-versa".



Escrito por Inagaki às 19h27
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