Pensar Enlouquece. Pense Nisto.



iBest 2004 (cabô)

Atenção: hoje é o último dia para votar em Pensar Enlouquece no Prêmio iBest Blog. Quem votou votou, quem não votou fica desde já convocado para participar da próxima fase da premiação, mas só no ano que vem. :)

Em tempo: meus agradecimentos a Beatriz Bandoli, Breno Pessoa, Christiane de Assis Pacheco, Claudia Letti, Daniel Rego Barros Junior, Déa Ramos, Drex Alvarez, Eduardo Nasi, Fabiano Lauar, Guto Rocha, Maria Elisa Guimarães, Nelson Moraes, Neuza Paranhos, Nicole Bernardes, Rafael Capuano da Cruz, Tiagón e Viviana Agostinho pela força dada nestes últimos dias!

Escrito por Inagaki às 04h35
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iBest 2004 (cabô)

Atenção: hoje é o último dia para votar em Pensar Enlouquece no Prêmio iBest Blog. Quem votou votou, quem não votou fica desde já convocado para participar da próxima faseada dizer,
mais uma vez marilyn esqueceu seu texto e ela cheira a mofo.

humphrey bogart morde a nuca suculenta de lauren bacall.
john wayne e steve mcqueen sorriem, sem pressentir o câncer ainda discreto.
pixote dorme, cego e inebriado, no colo de marília pêra.
toshiro mifune faísca estrelas ao manejar sua espada de samurai.
ginger e fred giram pelo salão disfarçando suas aversões mútuas.
bernard hermann assobia para hitchcock a trilha de vertigo.
ao fundo, james stewart personifica com perfeição um velho necrófilo,
devorando com o rabo do olho o decote de kim novak.
na sala do olvido, william holden agoniza, bêbado e solitário.

- nós sempre teremos paris.
aqui em texasville os mortos morrem de verdade, e precisam ser enterrados.
quanto a mim, sou apenas um figurante recortado um céu de celulóide,
que estraga todas as cenas sorrindo em direção à câmera.
(it's a wonderful, a wonderful life.)

Escrito por Inagaki às 00h57
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Diálogos inesquecíveis

Quatro Casamentos e um Funeral, dirigido por Mike Newell e roteirizado por Richard Curtis em 1994. Segue abaixo a transcrição da seqüência em que a personagem de Andie MacDowell conversa com Hugh Grant sobre os amantes que teve na vida, e começa a contá-los nos dedos:

- O primeiro, é claro - difícil de esquecer. Agradável. Dois - pêlos nas costas. Três. Quatro. Cinco. Seis - foi no meu aniversário. No quarto dos meus pais.
- Que aniversário?
- Dezessete anos.
- Só chegamos aos dezessete?!
- Eu cresci no campo. Montes de feno para rolar. Tudo bem, sete - hummmm. Oito (faz com os dedos o sinal de alguma coisa muito pequena) - infelizmente, foi um choque e tanto. Nove - encostada numa cerca. Muito desconfortável, não tente. Dez - delicioso. Divino. Ele foi maravilhoso...
- Eu o odeio.
- Onze - evidentemente, dadas as circunstâncias, um desapontamento. Doze a dezessete - anos da universidade. Rapazes sensíveis, carinhosos, inteligentes, mas sexualmente falando, uma droga. Dezoito - partiu meu coração. Anos de sofrimento.
- Sinto muito.
- Depois veio o dezenove - que não me lembro, mas minha companheira de quarto afirma definitivamente que nós fizemos, duas vezes. Então, vinte. Meu Deus, não acredito que cheguei ao vinte! Vinte e um - língua de elefante. Vinte e dois - caía no sono a todo instante. Esse foi meu primeiro ano na Inglaterra.
- Sinto muito.
- Vinte e três e vinte e quatro juntos, foi uma coisa...
- O quê??
- Vinte e cinco - um encanto - francês. Vinte e seis - horrível - francês. Vinte e sete - ele não parava de gritar, foi constrangedor. Spencer, vinte e oito. O pai dele, vinte e nove...
- ?!?!
- Trinta - medonho. Trinta e um - oh, meu Deus. Trinta e dois - encantador. E então, meu noivo - trinta e três.
- Nossa! Então eu venho... depois do seu noivo?
- Não, você foi o trinta e dois. Enfim, aí está. Menos do que a Madonna, mais do que a princesa Di. Espero. E você? Com quantas já dormiu?
- Cristo, nada que chegue perto disso. A-hã. Francamente, não sei que merda tenho feito com meu tempo. Trabalho, provavelmente - é isso. Trabalho. Tenho trabalhado até tarde.

* * * * *

Fulaninha, dirigido por David Neves em 1986, em cena descrita impagavelmente por Gustavo de Almeida, jornalista e (ir)responsável pelo excelente blog Tem, Mas Acabou:

Roberto Bonfim está de camiseta sem manga, colar no peito, meio melado de suor, em uma cozinha de quinta categoria. Olha desconfiado para a mulher dele, a Zaira Zambelli, que frita um bife para um amigo do casal que passou mal. Intrigada com o olhar do marido, Zaira diz, "Que que é?". Segue-se uma breve pausa e Roberto Bomfim pergunta: "Que que é? Que que é? Que que é é o CARALHO!". Dito isto, acerta uma porrada na mulher. Todos aparecem para separar, Bomfim se desvencilha de todo mundo e começa o show: "AGORA EU É QUE SOU O ESCROTO AQUI, NÉ? EU QUE FAÇO FILME DE SACANAGEM, EU QUE DOU PORRADA EM MULHER? E VOCÊ, SEU BABACA QUE TÁ APAIXONADO POR GAROTINHA QUE NÃO TEM NEM PENTELHO? E VOCÊ, AÍ, SEU BROCHA, VAI FAZER TUA MULHER GOZAR, RAPÁ! E ESSE AÍ, BABACÃO, METIDO A INTELECTUAL? INTELECTUAL DE MEEEEEERRRRRRRRDA É O QUE TU É". Pano rápido ao fim da metralhadora giratória.

* * * * *

O Marido Ideal, boa adaptação da peça de Oscar Wilde, dirigida e roteirizada por Oliver Parker em 1999. A seguir, a seqüência em que os personagens de Rupert Everett e Minnie Driver duelam verbalmente:

- Está atrasado.
- Sentiu saudade?
- Demais.
- Então sinto não ter atrasado demais. Adoro que sintam saudade.
- Que egoísmo!
- Sou muito egoísta.
- Sempre me fala de seus defeitos.
- Ainda não contei a metade.
- E os outros são ruins?
- Terríveis. Não consigo dormir quando penso neles.
- Bem, eu gosto de seus defeitos, e não dispensaria um único.
- O que mostra seu bom gosto.

* * * * *

• Os diálogos abaixo, dignos de um Shakespeare, foram extraídos de um dos meus filmes de cabeceira, O Sétimo Selo, obra-prima de 1957 dirigida e roteirizada por Ingmar Bergman:

- É um inferno com as mulheres, e pior sem elas. A melhor coisa é matá-las enquanto se pode.
- Mulheres são inoportunas e insensíveis.
- Bebês e fraldas sujas.
- Unhas e palavras afiadas.
- Tapas, socos e uma sogra.
- E quando você quer dormir...
- Outra melodia.
- Lágrimas e gemidos que acordariam um morto.
- "Por que você não me dá um beijo de boa noite?"
- "Por que você não canta?"
- "Você não me ama mais como antes". "Você não notou a minha mudança". "Você apenas virou-se e cantou". Diabos! Agora ela se foi, seja grato.

(...)

- Talvez eu a ame.
- Talvez você a ame. Vou dizer-lhe uma coisa idiota, amor é uma palavra para luxúria, mais luxúria, trapaça, falsidade e comportamentos idiotas.
- Bem, mas isso machuca de qualquer maneira.
- O amor é a mais negra das pestes, mas ninguém morre de amor, e quase sempre passa.
- O meu não passa.
- É claro que passa. Raramente um par de idiotas morre de amor. Se tudo é imperfeito nesse mundo imperfeito então o amor é perfeito nessa perfeita imperfeição.
- Que animador. Toda essa conversa e você acredita nas suas tolices.
- Quem disse que eu acredito? Sou um sábio. Peça meu conselho e terá em dobro.

* * * * *

• Woody Allen não poderia estar de fora desta breve compilação. O diálogo abaixo, entre o personagem de Allen e uma monitora de um museu de arte, é de Sonhos de um Sedutor, filme de 1972 dirigido por Herbert Ross a partir de uma peça de teatro escrita por Woody:

- Este quadro é de Jackson Pollock, não é?
- Sim.
- O que ele representa para você?
- Ele representa a negatividade do universo. O abominável e solitário vazio da existência. O Nada. A condição do Homem forçado a viver em uma árida eternidade desprovida de Deus, como uma breve chama piscando no imenso vácuo com nada a não ser lixo, horror e degradação, presa em uma inútil camisa-de-força em meio aos cosmos negro e absurdo.
- O que você pretende fazer sábado à noite?
- Cometer suicídio.
- Ahn... E na sexta-feira?

Escrito por Inagaki às 00h46
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Diálogos apócrifos

O cinema tem dessas coisas: algumas das citações mais famosas de filmes na verdade nunca foram ditas. Estes são os exemplos mais conhecidos:

- "Me Tarzan, you Jane"

Em Tarzan, o Homem-Macaco, filme dirigido por W.S. Van Dyke em 1932, a cena clássica que mostra o encontro entre Tarzan (interpretado por Johnny Weissmuller, ex-campeão olímpico de natação) e Jane Parker (Maureen O'Sullivan) apresenta o seguinte diálogo:

Jane: - (apontando para si mesma) Jane.
Tarzan: - (ele aponta para ela): Jane.
Jane: - E você? (ela aponta para ele) Você?
Tarzan: - (batendo com a mão no peito) Tarzan. Tarzan!
Jane: - (enfatizando a resposta correta) Tarzan...
Tarzan: - (apontando o dedo para lá e para cá) Jane. Tarzan. Jane. Tarzan...

* * * * *

- "Play it again, Sam"

Nem Rick Blaine (Humphrey Bogart), nem Ilsa Lund (Ingrid Bergman). O diálogo mais famoso de Casablanca, clássico dirigido por Michael Curtiz em 1942, não é falado no filme. Ao solicitar ao pianista Sam (Dooley Wilson) para que toque a música que marcou seu romance com Rick, Ilsa na realidade diz:

- Play it, Sam. Play "As Time Goes By".

Já o personagem de Bogart é mais ríspido:

- - "Por que você não canta?"
- "Você não me ama mais como antes". "Você não notou a minha mudança". "Você apenas virou-se e cantou". Diabos! Agora ela se foi, seja grato.

(...)

- Talvez eu a ame.
- Talvez você a ame. Vou dizer-lhe uma coisa idiota, amor é uma palavra para luxúria, mais luxúria, trapaça, falsidade e comportamentos idiotas.
- Bem, mas isso machuca de qualquer maneira.
- O amor é a mais negra das pestes, mas ninguém morre de amor, e quase sempre passa.
- O meu não passa.
- É claro que passa. Raramente um par de idiotas morre de amor. Se tudo é imperfeito nesse mundo imperfeito então o amor é perfeito nessa perfeita imperfeição.
- Que animador. Toda essa conversa e você acredita nas suas tolices.
- Quem disse que eu acredito? Sou um sábio. Peça meu conselho e terá em dobro.

* * * * *

• Woody Allen não poderia estar de fora desta breve compilação. O diálogo abaixo, entre o personagem de Allen e uma monitora de um museu de arte, é de
Sonhos de um Sedutor, filme de 1972 dirigido por Herbert Ross a partir de uma peça de teatro escrita por Woody:

- Este quadro é de Jackson Pollock, não é?
- Sim.
- O que ele representa para você?
- Ele representa a negatividade do universo. O abominável e solitário vazio da existência. O Nada. A condição do Homem forçado a viver em uma árida eternidade desprovida de Deus, como uma breve chama piscando no imenso vácuo com nada a não ser lixo, horror e degradação,://www.filmsite.org/filmfotos/casablanca4.wav">You played it for her, you can play it for me! If she can stand it, I can! Play it!


A fala "Play it again, Sam" na verdade foi pronunciada pela primeira vez em Uma Noite em Casablanca, filme que os irmãos Marx estrelaram em 1946. E no entanto, nove entre dez cinéfilos não pestanejariam em jurar que ouviram tal diálogo da boca de Bogart ou Bergman. Coisas do cinema...

* * * * *

- "Elementary, my dear Watson"

O bordão clássico de Sherlock Holmes, personagem criado por Sir Arthur Conan Doyle, jamais disse "Elementar, meu caro Watson" em qualquer um de seus livros. Desta vez, no entanto, estamos diante de um diálogo que sim, foi pronunciado em um filme. No caso, em O Retorno de Sherlock Holmes, dirigido e roteirizado por Basil Dean em 1929. O longa, apesar de ter recebido críticas negativas na época, possui o mérito de ter cunhado a frase que se tornaria a marca registrada do personagem, apesar de não aparecer em nenhum dos romances escritos por Conan Doyle.

Escrito por Inagaki às 23h25
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Ah, Vendramini

Nelson Rodrigues dizia que todo homem tem as suas obsessões. Bem, "obsessão" talvez seja uma palavra exagerada, mas o fato é que sim, eu tenho lá as minhas manias e idiossincrasias particulares. Um exemplo besta: adoro cutucar meus ouvidos com grampos de cabelo, mesmo sabendo que esta não é lá uma atitude muito saudável. Outro: repito, recorrentemente, certos termos ad nauseam em meus textos, como "incauto", "bóbvio", "tergiversar", "inconteste", "beijabraço", "lobotomizado" e advérbios terminados com o sufixo "mente". Enfim: tergiverso, tergiverso.

Os leitores mais antigos deste blog já sabem que Luciana Vendramini ocupa um espaço em meu imaginário pessoal equivalente ao da garotinha ruiva para com o Charlie Brown. Contudo, não chegaria a qualificar minha admiração pela beleza de Ms. Vendramini como "obsessão". Para mim, é um mero amálgama de nostalgia com platonite aguda. Mas enfim, o fato é o seguinte: hoje, dia 10 de dezembro, minha eterna musa platônica completa 33 anos de idade. E, a julgar pelo ensaio assinado pelo fotógrafo francês Jérome Sainte-Rose na Playboy que está nas bancas, o tempo foi seu camarada.

Na primeira vez em que posou nua, Luciana tinha apenas 16 anos de idade e precisou da autorização dos pais para fazer o ensaio. Não fazia nem um ano que havia saído pela primeira vez da cidade natal (Jaú, no interior de São Paulo) a convite de Xuxa, que a conheceu em um desfile, simpatizou com aquela garota e a convidou para trabalhar em seu programa de TV como assistente de palco. Mal chegou à TV, Luciana Vendramini foi descoberta pelos olheiros da Playboy, que não perderam tempo e a convidaram para estrelar o mítico ensaio que marcou a puberdade de toda uma geração: nascia ali a ninfeta-mor dos anos 80. Detalhe: a revista aguardou quase um ano para publicar as fotos, procurando driblar eventuais complicações com o Juizado de Menores.

Após o sucesso do seu ensaio, Luciana Vendramini estrelou dezenas de comerciais (dentre os quais destaco um para os jeans Wrangler no qual ela interpretava uma freira rebelde que fugia do convento ao som de "Can't Take My Eyes Off of You", na voz de Frankie Valley, papel que consolidou minha paixão platônica pela garota de Jaú), foi Garota do Fantástico (repetindo os passos de outras beldades até então desconhecidas, como Paula Burlamaqui, Núbia de Oliveira, Mari Alexandre e Viviane Araújo), casou-se com o ex-vocalista do RPM Paulo Ricardo (com quem ficou por 9 anos), fez pequenos papéis em novelas globais como Vamp e Rei do Gado e em filmes como O Casamento dos Trapalhões.

Contudo, a contrapartida da fama lhe foi severa: Luciana sofreu por dois anos de TOC (Transtorno Obsessivo-Compulsivo), distúrbio que obrigava a modelo e atriz a cometer ações aparentemente sem sentido, como ficar sem abrir a porta de sua casa por um ano, lavar as mãos dezenas de vezes por dia ou ficar sentada em uma calçada por cerca de 26 horas. Durante esse período Ms. Vendremini desapareceu da mídia, chegando a ficar quase três anos sem ver TV, ler jornais ou ouvir rádio (o que me faz pensar que toda doença possui um lado positivo).

Recuperada, Luciana Vendramini voltou a atuar (em diversas peças de teatro) e, após insistentes convites anos a fio, resolveu finalmente aceitar um novo convite para posar nua (para o júbilo de fãs babões como eu). Uma rápida comparação entre as fotos da Playboy de 1987 e o ensaio desta edição de dezembro não me deixou réstia de dúvidas: a ex-ninfeta está muito mais bonita, sensual e apaixonante do que há 16 anos. Não que ela possua um corpo perfeito, como certas modelos com barriga definida e peitos siliconados. Olhos severamente críticos notarão que seus seios não exibem a mesma firmeza dos tempos de ninfeta, assim como algumas adiposidades em sua cintura. Para mim, são detalhes que tornam Luciana Vendramini ainda mais irresistível: uma passada d'olhos nas fotos da Playboy mostra que estamos diante de uma mulher de verdade, ao contrário das Barbies anoréxicas que se apresentam nas "fashion weeks" da vida.

Escrito por Inagaki às 23h56
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Bizarrices do livro Guinness de recordes

Quando penso nos dias em que mais ri na vida, lembro de dois momentos. O primeiro foi quando assisti a "Um Convidado Bem Trapalhão", memorável comédia de Blake Edwards estrelada por Peter Sellers (conselho de amigo: se você estiver num daqueles dias macambúzios, tenha sempre à mão uma cópia deste filme. Os efeitos são mais eficazes que qualquer remédio de tarja preta). O segundo foi o dia em que Eduardo, um colega do 2. ano do colegial, mostrou seu talento para... arrotar.

Foi realmente expressionante: Eduardo era provavelmente o Roy Orbison ou o Pavarotti da arte de arrotar. Durante o intervalo entre as modorrentas aulas de química orgânica e O.S.P.B., ele deu seu show. Primeiro, ao proferir do fundo do âmago de seu estômago as letras do alfabeto de A a Z. Depois, desafiado pela roda que se formou ao seu redor, eructou um inacreditável arroto de exatamente 1 minuto e 37 segundos (jamais me esqueci dessa marca, cronometrada pelo Babão, outro de meus colegas de classe). A essa hora minha barriga já doía de tanto rir, mas os pratos principais ainda estavam por vir: interpretações musicais. Primeiro Eduardo proferiu a menos patriótica versão que já ouvi dos primeiros versos do Hino Nacional Brasileiro. Depois, para arrematar, regurgitou "Frère Jacques" de tal modo que cada vez que ouço essa musiquinha me contorço de rir só de lembrar daquela tarde. Não tenho mais notícias do Eduardo, mas penso que se ele fizesse recitais eu pagaria os ingressos com prazer.

Pois bem, todo esse preâmbulo nada edificante veio à minha memória depois que eu li a respeito do Livro Guinness dos Recordes, que recentemente comemorou a venda de seu exemplar de número 100.000.000. Primeiro, porque eu definitivamente gostaria de saber qual é o recorde mundial do arroto mais prolongado de todos os tempos. Segundo, por pensar nas pessoas que aparecem em suas edições por possuírem "talentos" tão inusitados quanto o do meu ex-colega Eduardo. Vide a figura ao lado, por exemplo: o inglês Garry Turner conseguiu o feito de colocar nada menos que 153 prendedores de roupa em seu rosto.

Mas o que leva pessoas a cometerem atos como colecionar 3.240 sacos de vômito de avião, comer 200 minhocas vivas em apenas 20 segundos ou colocar 1.903 piercings em seu corpo (caso da incauta da foto à esquerda, a brasileira Elaine Davidson, que posui inclusive um grupo de discussão na Internet reunindo seus fãs)? Com a palavra, Gilberto Cruz: "As pessoas que quebram recordes pessoais só estão mostrando para as outras que, se quisessem, fariam. Você não precisa fazer o que estou fazendo, mas pode bater seu recorde pessoal. O ser humano pode muito, é isso que a gente tem que botar na cabeça. Usamos pouco do nosso potencial".

Para quem nunca ouviu falar nele, Gilberto Cruz, 40, é formado em Marketing e possui nada menos que 150 certificados de cursos em seu currículo. Já exerceu dezenas de profissões, dentre as quais as de assistente de enfermagem, instrumentador cirúrgico de necrópsias e investigador de seguro. Nas horas vagas, busca alcançar sua meta sui generis: tornar-se o homem com mais recordes citados no Livro Guinness. Gilberto já teve a pachorra de ficar 55 horas montado em um cavalo, passar 67 minutos dentro de uma caixa de gelo, fazer 93.000 flexões e extensões de braços e pernas em 24 horas, ficar 4 dias inteiros sem dormir e 225 horas embaixo d'água. Entretanto, apesar de todas as marcas terem sido registradas oficialmente, os recordes batidos por Gilberto ainda precisam passar pelo crivo da equipe do Guinness antes de serem incluídos oficialmente no livro.

Enquanto nosso compatriota não é reconhecido pelo Guinness, o homem mais citado no livro permanece sendo o ídolo de Gilberto, o norte-americano Ashrita Furman, que já teve 78 recordes registrados, sendo que 20 deles permanecem insuperados até agora. Dentre outras façanhas, Ashrita passou 36 horas dando cambalhotas, caminhou 130 quilômetros equilibrando uma garrafa de leite na cabeça, fez 27.000 polichinelos ininterruptamente, deu 130.000 pulos de corda em 24 horas e equilibrou 75 copos de cerveja em seu queixo. A quem interessar possa: Ashrita na verdade nasceu com o nome de Keith Furman. Aos 15 anos, após uma crise existencial, conheceu um guru indiano, mudou o seu nome de batismo e começou a bater recordes com o intuito único de tentar atingir a "iluminação": haja nirvana...

Em tempo: você se interessou em ter seu nome imortalizado no Guinness? Então clique aqui e saiba como proceder, mas tenha paciência. A editora do livro, a inglesa Claire Folkard, recebe anualmente cerca de 65.000 pedidos de homologação de novos recordes. De repente, até o meu amigo Eduardo pode estar entre esses requerentes...

Escrito por Inagaki às 19h07
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O maldito pão nosso de cada dia

Há um provérbio francês que afirma: "No mundo dos espertos, quem anda voa". Pois bem, a impressão que tenho é de que, se vivemos em um mundo realmente assim, pessoas honestas provavelmente rastejam. Não quero ser cínico ou desesperançoso, mas às vezes é uma tarefa árdua acreditar que vale a pena respeitar leis, não sonegar impostos e ser um cidadão exemplar.

Meu pai, por exemplo. Convencido por um amigo excessivamente empolgado, aplicou simplesmente todo o dinheiro recebido do FGTS (proveniente de uma firma de engenharia que o demitiu após quase trinta anos no emprego) nas tais Fazendas Reunidas Boi Gordo, sendo que o seu "camarada" chegara ao ponto de vendergwoman.jpg" border=0 align=left>Mas o que leva pessoas a cometerem atos como colecionar 3.240 sacos de vômito de avião, comer 200 minhocas vivas em apenas 20 segundos ou colocar 1.903 piercings em seu corpo (caso da incauta da foto à esquerda, a brasileira Elaine Davidson, que posui inclusive um grupo de discussão na Internet reunindo seus fãs)? Com a palavra, Gilberto Cruz: "As pessoas que quebram recordes pessoais só estão mostrando para as outras que, se quisessem, fariam. Você não precisa fazer o que estou fazendo, mas pode bater seu recorde pessoal. O ser humano pode muito, é isso que a gente tem que botar na cabeça. Usamos pouco do nosso potencial".

Para quem nunca ouviu falar nele, Gilberto Cruz, 40, é formado em Marketing e possui nada menos que 150 certificados de cursos em seu currículo. Já exerceu dezenas de profissões, dentre as quais as de assistente de enfermagem, instrumentador cirúrgico de necrópsias e investigador de seguro. Nas horas vagas, busca alcançar sua meta sui generis: tornar-se o homem com mais recordes citados no Livro Guinness. Gilberto já teve a pachorra de ficar 55 horas montado em um cavalo, passar 67 minutos dentro de uma caixa de gelo, fazer 93.000 flexões e extensões de braços e pernas em 24 horas, ficar 4 dias inteiros sem dormir e 225 horas embaixo d'água. Entretanto, apesar de todas as marcas terem sido registradas oficialmente, os recordes batidos por Gilberto ainda precisam passar pelo crivo da equipe do Guinness antes de serem incluídos oficialmente no livro.

Enquanto nosso compatriota não é reconhecido pelo Guinness, o homem mais citado no livro permanece sendo o ídolo de Gilberto, o norte-americano Ashrita Furman, que já teve 78 recordes registrados, sendo que 20 deles permanecem insuperados até agora. Dentre outras façanhas, Ashrita passou 36 horas dando cambalhotas, caminhou 130 quilômetros equilibrando uma garrafa de leite na cabeça, fez 27.000 polichinelos ininterruptamente, deu 130.000 pulos de corda em 24 horas e equilibrou 75 copos de cerveja em seu queixo. A quem interessar possa: Ashrita na verdade nasceu com o nome de Keith Furman. Aos 15 anos, após uma crise existencial, conheceu um guru indiano, mudou o seu nome de batismo e começou a bater recordes com o intuito único de tentar atingir a "iluminação": haja nirvana...

Em tempo: você se interessou em ter seu nome imortalizado no Guinness? Então clique aqui e saiba como proceder, mas tenha paciência. A editora do livro, a inglesa Claire Folkard, recebe anualmente cerca de 65.000 pedidos de homologação de novos recordes. De repente, até o meu amigo Eduardo pode estar entre esses requerentes...

Escrito por Inagaki às 11h34
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