Pensar Enlouquece. Pense Nisto.



Expressões paradoxais e alguns recados

Pense em expressões como "acabamento inicial", "brinde pago", "descer para cima", "criar velharias", "labareda de água", "unanimidade parcial", "chuva seca", "surpresa esperada", "exultar de tristeza" ou "elo de separação". Soam estranhas, não?

Depois, leia este relatório do IBGE, segundo o qual apenas 14,2% dos domicílios brasileiros possuem computador. Pior ainda: somente 10,3% possuem conexão à Internet. Compare tais estatísticas com este artigo pessimista de Robson Pereira, que cita uma pesquisa da Forrester Research segundo a qual 79% dos entrevistados, todos usuários ativos de Internet, jamais haviam ouvido falar em blogs, e apenas 2% desses já haviam navegado em pelo menos um.

(Ok, pese na balança o fato de que 87,45% de todas as estatísticas são furadas.)

Mas enfim, todo esse preâmbulo serviu para que eu expressasse minha surpresa diante da ilustração abaixo:



que blogueiro famoso você é?


A despeito da iniciativa simpática do Bruno em me incluir nesse teste, o fato é que a expressão "blogueiro famoso" me soa tão paradoxal quanto falar em "conclusão parcial", "goteira no chão", "enfrentar de costas" ou "prefeitura estadual". Ninguém ainda me reconheceu no meio da multidão, nenhuma fã me parou no meio da rua para pedir um autógrafo em seu sutiã e o Gilberto Braga também não me chamou para fazer uma ponta em sua nova novela.

Não, eu não seria hipócrita em afirmar que acharia desagradável vivenciar tais situações (ok, minha namorada ficaria deveras emputecida com relação à segunda hipótese; fora isso, tudo zen). Afinal de contas, receber convites para festas e bocas-livres seria um bálsamo para meu adoentado saldo bancário. Única razão, aliás, que motivou a minha inscrição no iBest - a propósito: votem em mim e ajudem este incauto a tentar faturar os R$ 10 mil da premiação! :)

De qualquer modo, se ser famoso significa ser enfileirado junto a instant celebrities como Maria Eliane Lima Araújo, Leonardo Senna, Paula Jones, Eric Moussambani ou Rosemary Mello, passo convictamente meus quinze segundos de fama para o próximo da fila. Ah, mas você nunca ouviu falar nesses nomes? Que bom pra você.

* * * * *

Enquanto tento colocar minha correspondência pessoal em dia, seguem alguns recados e recomendações:

- Nelson Moraes, nobilíssimo blogueiro com textos publicados pela revista Cult deste mês, comemora hoje 40 primaveras (mas com corpinho de 39). Parabéns, mon ami!

- Sim, gostei bastante do primeiro álbum de Maria Rita Mariano. Não, não vou tecer comparações com sua mãe, que eu não agüento mais ver textos citando sua herança genética. Atenho-me, pois, a dizer que a versão que Maria Rita fez de "Encontros e Despedidas" (da dupla Milton Nascimento & Fernando Brant) é uma das três melhores gravações brasileiras do ano (ao lado de "O Silêncio de Iara", de Guinga, e "Hoje Mesmo", de Nando Reis), e que vale a pena ler o post do Zé Carlos comentando o hype em torno de seu lançamento.

- Mais gente precisa descobrir o blog de Milton Ribeiro.

- Ainda nesta semana finalmente quitarei uma dívida contraída desde o dia 20 de julho.

- Juízo (ma non troppo) a todos!

Escrito por Inagaki às 00h16
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A nova infância

Nos tempos cínicos em que vivemos, nada é mais fácil e óbvio do que falar mal do amor, esse vírus que faz com que casais pareçam regredir anos no tempo. Sim, eu confesso: sou desses caras que criam para a namorada apelidos bobões, e que recebem em troca tratamentos mais melosos ainda, do tipo "gatesouro" e "gatesuda" (ok, eu vi você meneando a cabeça aí). E quando eu não me canso de dizer que amar hemburrece, é exatamente por causa dessa espécie de reações: quando estamos apaixonados, passamos a agir como se vivêssemos uma nova infância.

Uma criança percebe o mundo como uma constante inovação, guardando dentro de si a invejável capacidade de ainda se surpreender com o universo à sua volta, assim como de questionar hábitos que repetimos mecanicamente no script há tempos decorado da rotina diária. Por isso, ainda é capaz de enxergar em uma nuvem um hipopótamo que planta bananeira, de se perguntar por que cargas d'água o céu é azul, ou de transformar bolhas de sabão em planetas e cometas fugazes. Porque amar ressuscita dentro da gente essa criança inquiridora e deslumbrada. De repente, não mais que de repente, passamos a vislumbrar o cotidiano com olhos generosos, capazes de resgatar graça onde antes não havia nada além do banal.

Quando visitei pela primeira vez o blog escrito a quatro mãos escrito por Mario AV & Adri Patamoma, eu me li em muitas das situações vividas por eles. Porque um casal apaixonado é como um par de crianças redivivas que reaprendem a encontrar magia em atividades cotidianas como folhear revistas em uma banca de jornal, montar quebra-cabeças ou comer os pastéis de Belém do Habib's.

Enfim, todos esses pensamentos me remeteram a um romance que li há alguns anos: Adolpho, publicado em 1816 pelo francês Benjamin Constant (traduzido no Brasil por Carlito Azevedo). Em uma de suas passagens, Constant afirma: "O amor supre a falta de lembranças por uma espécie de mágica. Todas as outras afeições necessitam de um passado: o amor cria, como por encanto, um passado de que nos cerca. Dá-nos, por assim dizer, a consciência de havermos vivido anos a fio com alguém que há pouco era quase um estranho. O amor é só um ponto luminoso, e, contudo, parece apoderar-se do tempo. Há poucos dias não existia, logo mais, deixará de existir: mas enquanto existe esparge sua claridade sobre o tempo precedente e sobre o tempo que o sucederá".

Sábias palavras. Espero, no entanto, que esse ponto luminoso perdure por mais tempo que o previsto pelo ceticismo do escritor.

Escrito por Inagaki às 03h25
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Um país de noveleiros

Ontem foi exibido o último capítulo de Mulheres Apaixonadas, novela que, bem ou mal, acabou mobilizando o país com seus dramas sobre mulheres que apanharam do marido, sofreram de alcoolismo, foram ciumentas patológicas, apaixonaram-se por padres, maltrataram os avós, mantiveram-se virgens até o casamento, tiveram péssimas mães, penaram para assumir seu lesbianismo, yada yada yada. O que me leva a pensar que essa novela do Manoel Carlos teria sido melhor batizada com um título homônimo ao do filme de Almodóvar: Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos.

Por mais que seja "politicamente correto" negar o acompanhamento diário desse teledramalhão, o fato é que foi quase impossível fugir das repercussões causadas por essa produção da Rede Globo. Até o meu insuspeito pai me surpreendeu ao comentar, durante o jantar de ontem, que o capítulo final revelaria que a professorinha Raquel estaria grávida de seu ex-aluno Fred. Mesma coisa no banco onde trabalho: caixas e clientes, no intervalo entre uma e outra autenticação, debatiam animadamente quais seriam os destinos de cada personagem. De resto, um fato usual. Já há alguns anos, as soap operas globais, por mais imbecilizantes que possam ser, acabam por se tornar espelhos do zeitgeist tupiniquim.

Mesmo que ao seu modo um tanto quanto melodramático de ser, novelas têm marcado o imaginário coletivo brasileiro ao exibir cenas que sintetizam algumas das maiores aspirações, frustrações e desejos dos brasileiros em geral, vide a banana mostrada pelo empresário corrupto Marco Aurélio ao fugir do Brasil na novela Vale Tudo (1988), a morte do taxista Carlão abraçado a uma mala cheia de dinheiro roubado em Pecado Capital (1976), Sônia Braga exibindo suas fartas curvas ao pegar uma pipa de cima de um telhado em Gabriela (1975), Charlô e Otávio se afogando em uma batalha-pastelão de tortas em Guerra dos Sexos (1983)...

Mulheres Apaixonadas fica marcada ainda pelo modo invasivo como suas tramas infiltraram-se na vida real. Por exemplo, ao reunir milhares de pessoas na praia de Copacabana no dia 14 de setembro, durger.com.br" target="_blank">João Paulo Cuenca, Joca Terron, Jorge Rocha, Maira Parula, Mara Coradello, Marcelino Freire, Paloma Vidal e Paula Foschia.

Sim, a coisa promete: a revista-livro Paralelos sai ano que vem em três edições iniciais: (I) prosa (contos), (II) crônicas e ensaios e (III) poesia, cada qual com dois volumes, Paralelos (reunindo textos de escritores do Rio) e Conexões (abrigando autores "off-RJ"). Enquanto isso, o site retomará os passos ensaiados pelo Falaê, concentrando seu foco no trabalho de garimpagem de novos valores, na discussão da literatura contemporânea e na divulgação de eventos literários.

Reitero, pois, o convite feito por Augusto Sales a todos os internautas e amantes das letras: o projeto Paralelos será lançado neste sábado, dia 18 a partir das 17h, no Armazém 5 do Cais do Porto, dentro das atividades da terceira Primavera dos Livros do Rio de Janeiro.

Escrito por Inagaki às 03h58
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