Pensar Enlouquece. Pense Nisto.




No Mundo das Tubaínas - um especial da Revista 2K.
Museu de Pôsteres Russos Anti-Álcool.
Mosaicos inspirados por cenas de filmes de Hitchcock.
Fotos de pessoas, hum, em poses pouco edificantes.
Vocês ainda ouvirão falar muito nesse cara: Henrick Manreza.
Quadrinhos com cenas de crimes dos anos 40 e 50 - And don't forget, children: crime does not pay...
Site oficial de MESTRE Fernando Gonzales.
Ah, os bons tempos em que a Pantera Cor-de-Rosa era muda...

(8 links que valem por 8.000 palavras - um post inspirado pelo Picto Blog)


Escrito por Inagaki às 01h50
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Iniciação

Teu olhar é um abismo
Onde o meu corpo mergulha;
Fere a luz como o veludo
É ferido pela agulha.

Mar de fogo - tua íris
Me derrete toda a pele;
Na retina me confundo,
Não há mão que se rebele.

Fim do ato: longas chamas
Recolhidas em consenso.
Morte lenta e consentida.
Não me movo; nada penso.

Paixão

I

Em tua pele de seda e cristal
espelha-se a magia
da noite irreal

II

Tua boca beija
e fere.

III

Até você?


Escrito por Inagaki às 20h51
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De reminiscências, vícios e comentários

Quando meus avós paternos moravam num sobrado na rua Aimberé, a alguns quarteirões de casa, costumávamos passar as tardes de sábado lá. Eu, que quando pirralho era um tremendo enjoado para comer, jantava arroz com missoshiro, sopa japonesa que minha avó fazia pensando em mim. (anos depois, quando descobri que o missoshiro era realmente preparado por minha causa, chorei feito um desembestado; mas tergiverso, tergiverso). Enquanto meus irmãos e primos brincavam na varanda, eu, que tenho um jeito meio macambúzio e recolhido de ser, ficava atrás do sofá lendo jornais: O Estado de S. Paulo, assinado por meus tios Jorge e Emília (que na época moravam junto com meus avós), e Shopping News, que era entregue gratuitamente na porta de casa.

Aos sete anos de idade, eu, bobviamente, não me metia a ler as editorias de economia ou política internacional. Ficava entretido vendo as tiras do jornal, as manchetes esportivas ou as críticas de cinema e televisão. Vem de longe, pois, o meu vício por informações. Além de assinar a Folha de S.Paulo e a Superinteressante, compro diariamente o Lance! e diversas outras publicações com mais ou menos freqüência: Vip, Racing, Set, Premiére, Zero, Playboy, Rolling Stone, Placar, Crocodilo, Bravo!. As pilhas de revistas, que se acumulam em meu quarto formando Torres de Pisa prontas para desabar a qualquer momento, suscitam constantes reclamações, tanto de minha mãe como de minha namorada. Mas fazer o quê? Cada um tem o seu vício: o meu é a sede por informações.

* * *

Certamente é nesse vício que se encontra o cerne para o surgimento de um outro em minha vida: o hábito constante de visitar outros blogs. A lista de links compilados no frame à esquerda deste post, que cresce dia após dia, não me desmente (haja tempo para tanta informação, haja ócio produtivo para tanto navegar). Mais do que escrever neste espaço, gosto mesmo é de ler o que os outros escrevem (à semelhança da vida real, em que prefiro ouvir a falar). A partilha de links e sentimentos, o aprendizado com outros pontos de vista, a abertura para discussões (por meio de comments ou livros de visitas), toda essa barafunda virtual fascina, atordoa e atrai.

Outro dia li no excelente blog português Deslizar no Sonho uma citação de Hermann Broch que me fez pensar no assunto: "A escrita é sempre uma impaciência do conhecimento". Não posso dizer pelos outros blogueiros, mas ao menos no meu caso a frase se encaixou como uma luva. Os posts que publico surgem da necessidade imediata de escoar sentimentos, trocar idéias ou, simplesmente, compartilhar um link bacana que encontrei.

E onde entra a importância de um sistema de comentários? Aqui, tomo a liberdade de pegar emprestadas algumas palavras da Anna Maron:

" (...) a partir do momento que comecei a escrever um blog, passei a visitar infinitamente mais blogs do que estava acostumada, sinto necessidade mesmo de conhecer outros. Não só pelo fato de retribuir a visita de blogueiros, mas principalmente pelo vício mesmo. Passei a deixar comentários e comentários/respostas sobre os comentários que são deixados aqui também. Ah, e pode quem quiser dizer o contrário, mas comentários são essenciais num blog. Me parece bastante razoável que se você expõe o que escreve, se possível, quer ter uma resposta imediata de quem lê".

Assino embaixo, em cima e dos lados do texto da Anna. E é por isso que prezo tanto o meu sistema de comentários, que, via de regra, suscita retornos mais interessantes que meus próprios textos. Principalmente quando os retornos vêm de visitantes como a Cristina Carriconde, um bom exemplo de leitora que não se limita em balbuciar os elogios costumeiros ou repetir os pedidos freqüentes de troca de links ou visitas "descompromissadas". Pessoas que deixam seus comentários freqüentemente enriquecem o post original, seja através de suas observações pessoais pautadas em suas próprias experiências de vida, acrescentando e/ou corrigindo informações ou, simplesmente, dando ao blogueiro parâmetros preciosos a respeito do que escreve, fotografa ou desenha.

* * *

Naturalmente, um vício leva ao outro. E posso dizer, convictamente, que, mais do que blogar, prefiro ler outros blogs. Sempre que possível, quando tenho algo minimamente relevante a acrescentar, também deixo meus pitacos no espaço para comentários. Não por mera questão de "boa vizinhança", e sim porque encontro textos realmente inspiradores. Eis alguns exemplos de elucubrações que escrevi motivado por alguns blogs do meu bookmark:

* * *

Anita, do Arroz-de-leite

"Outro dia desses, assistindo ao Fica Comigo da MTV, pensei cá com meus botões: e se eu me predispusesse a pagar um King Kong desses, que espécie de incautas se candidatariam a este que vos escreve? Obviamente jamais saberei, mas a curiosidade vez em quando me carcome: e se eu nunca encontrar a mulher destinada a mim? Sabe-se lá em que vagões, em que elevadores, em que corredores ela tartamudeia por aí, esperando pelo dia que talvez jamais chegará? E aí o nosso amor em potencial será, quiçá, guardado em uma adega, esperando por outras reencarnações, até o dia em que sua fina safra será, enfim, apreciada em tua a sua plenitude. E pensar que todo esse preâmbulo foi apenas para dizer: cadê a tua alma gêmea, felizardo ignorante que ainda não desatou o nó do labirinto para te encontrar? :)"

* * *

Angela, do Tempo Imaginário

"Angela, eu acho que este mundo é muito ingrato com quem tem neurônios suficientes para compreender como funcionam as engrenagens sujas que movem este mundo. Nessas horas, invoco Pessoa -

Gato que brincas na rua
Como se fosse na cama,
Invejo a sorte que é tua
Porque nem sorte se chama.

Bom servo das leis fatais
Que regem pedras e gentes,
Que tens instintos gerais
E sentes só o que sentes.

És feliz porque és assim,
Todo o nada que és é teu.
Eu vejo-me e estou sem mim,
Conheço-me e não sou eu.


- que descreve, como ninguém mais o fez, o que se passa em minha cabeça.

E nada mais posso desejar aos meus semelhantes, que não seja muita saúde e sorte, para que o Mundo aí fora não esmoreça ilusões, não esmague projetos de vida, não pulverize a criança sonhadora que ainda esperneia dentro de algum recôndito dentro da gente e, principalmente, não atinja aqueles que nós amamos com uma bala perdida, um pedaço de ônibus espacial na cabeça, uma metástase não diagnosticada a tempo ou uma agressão gratuita numa esquina qualquer, e nos poupe das lágrimas que enchem de amargura tantas pessoas boas e honestas que foram vitimadas sem qualquer razão.

Beijabraço pra ti. E, é claro, SORTE!"

* * *

Por fim, vale a pena dar o merecido espaço ao comentário deixado pela minha leitora Lola Range, em um post intitulado Teoria Maquiavélica do Amor, publicado por mim na véspera do Dia dos Namorados. Quando leio um comment como este, fico realmente feliz com a qualidade dos leitores que possuo. :)

"Eu também tenho uma teoria e hoje ela vai debutar na rede. É a

Escrito por Inagaki às 00h11
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The Day the Music Died

Hoje é celebrado o Dia Mundial do Rock. A justificativa para a data: 13 de julho de 1985 foi o dia em que foi realizado o Live Aid, mega-concerto organizado pelo músico irlandês Bob Geldof, em prol dos famintos da África, e que reuniu dezenas de bandas em dois shows realizados simultaneamente em Londres, Inglaterra, e Filadélfia, Estados Unidos. Foi um acontecimento marcante, concordo. Mas eu, particularmente, teria escolhido outra data para a celebração do rock: 3 de fevereiro.

* * *

Final dos anos 50. O rock and roll mal havia inscrito suas primeiras notas na História da Música, e já sofria sua primeira crise, ameaçando perecer no mesmo limbo de outros estilos como a rumba, o calipso, o twist e o cha-cha-cha. Como peças de dominó, um a um os maiores ídolos viam suas carreiras tombarem de um dia para o outro. Tudo começou com o alistamento de Elvis Presley ao Exército, em 1957. Depois, foi Jerry Lee Lewis, que viu sua carreira soçobrar depois do escândalo causado pelo casamento com sua prima de 13 anos. Enquanto isso, Little Richard encontrara "a luz" e trocara o rock n'roll pela Igreja, e Chuck Berry terminou a década na cadeia, após ter sido flagrado com uma prostituta menor de idade.

O vácuo repentino de ídolos abrira espaço para a ascensão meteórica de três talentos incipientes: o genial Buddy Holly (que, ao lado de sua banda The Crickets, gravou sucessos como "Peggy Sue" e "That'll Be The Day"), Ritchie Valens (intérprete do sucesso "La Bamba", pioneiro do rock latino) e The Big Bopper (DJ mais famoso da América e autor do hit "Chantilly Lace"). Durante o inverno de 1959, ambos participavam da turnê Winter Dance Party, consolidando junto aos fãs do meio-oeste americano o sucesso recém-adquirido (Valens tinha apenas 17 anos). Seguiram-se infindáveis, extenuantes viagens de ônibus, ao longo de estradas constantemente cobertas de neve.

Buddy Holly, 22.Ritchie Valens, 17.Jiles Perry Richardson, the Big Bopper, 28.

Um dia, Buddy Holly jogou a toalha. Na madrugada de 3 de fevereiro de 1959, logo após um show em Clear Lake, Iowa, Buddy decidiu fretar um avião para prosseguir com a turnê. Havia espaço para mais dois passageiros. Uma das vagas ficou com Big Bopper, que, fortemente gripado, pediu para ser poupado de mais uma via-crúcis no indefectível ônibus dos músicos. A última poltrona, disputada no cara-ou-coroa (Deus não lança apenas dados), ficou com Ritchie Valens. Nem sempre quem ganha leva: poucos quilômetros depois de decolar, o avião caiu, certamente devido às péssimas condições climáticas, matando todos os seus ocupantes.

O rock tardaria a se recuperar de tantos baques. As paradas de sucesso foram tomadas por baladeiros como Paul Anka, Pat Boone e Neil Sedaka, e mesmo Elvis Presley, que ao voltar das Forças Armadas preferiu consolidar sua imagem de galã de cinema, gravando basicamente musiquinhas "mela-cueca". Apenas na metade dos anos 60 o rock resgataria sua vocação transgressora, graças a Bob Dylan, Beatles e Rolling Stones. Contudo, os pioneiros, os responsáveis pelas primeiras faíscas, merecem ser lembrados: sempre que uma Fender ou uma Gibson for plugada em um amplificador, acredito que ao menos um isqueiro deva ser aceso em homenagem a esses caras: Holly, Valens e Big Bopper.

* * *

Muitos aprenderam a trágica lição. Os integrantes do Queen, por exemplo, costumavam viajar em aviões separados, a fim de assegurar a sobrevivência da banda em caso de acidentes (pelo jeito, os Mamonas Assassinas desconheciam a história do rock n' roll).

Mas o fato é que a Velha Ceifadora não escolhe gêneros musicais para saciar seu incontrolável apetite, vide a morte do Claudinho do Buchecha, falecido há exatamente um ano. Lamentei, sinceramente, o acontecido: o cara era humilde, gente boa, jamais traficou drogas (ao contrário de certos pagodeiros libertados com aval de ministro do STF), lia dicionários para aprimorar suas letras e morreu com um caderno de poemas de Vinícius de Morais, reproduzidas a mão, a tiracolo. Contudo, não dá para resistir à tentação de transcrever comentário de Márvio dos Anjos sobre o acontecido: "é o rock exigindo o sangue dos infiéis como tributo". It's only rock n' roll, baby: bad to the bone.

(texto publicado originalmente no Spam Zine edição 070)

Escrito por Inagaki às 11h44
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