Pensar Enlouquece. Pense Nisto.



O lema do site: com todo mundo nu, a guerra fica em segundo plano.Tem que rir pra não chorar. Depois do site Masturbate For Peace (que, como bem escreveu Mr. Valletta, poderia adotar como slogan a frase "a paz mundial está em nossas mãos..."), encontrei uma página brasileira que leva até as penúltimas conseqüências o ditado "faça humor, não faça a guerra".

O incauto senhor ao lado é Laércio, 49 anos, residente em São Caetano do Sul, SP. Assim como ele, diversos internautas resolveram expor sua nudez (nem um pouco artística) no site Nus Contra a Guerra, o recanto ideal para pacifistas que toparam exibir seus corpos por uma boa causa: as risadas dos visitantes da página (ah sim, e a paz mundial).

Por último, mas não menos importante, recomendo fortemente uma visita a esta página mantida pelo canal Al-Jazeera, que exibe a guerra sob o ponto de vista de cartunistas do Oriente Médio. O sarcasmo ferino das tiras dispensa a compreensão dos arabescos da caligrafia árabe: humor é uma linguagem universal.

Escrito por Inagaki às 14h43
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Clique aqui para obter a versão wallpaper deste desenho.
(ilustração de Silvio Ribeiro, autor do imperdível blog Moidsch)

O poema abaixo estava esquecido numa de minhas gavetas virtuais. Relendo-o agora, resolvi publicá-lo por causa do contexto atual. Há ocasiões em que a gente é obrigado a sofrer de um pouco de amnésia para poder ser feliz neste mundo.

* * *

Instante

Que seja apenas por um instante,
mas que seja breve e intenso este instante.
Sem regras, a não ser as ilógicas da paixão.
Sem lucidez, mas consciente dessa falta de lucidez.
Sem remorsos, anterior a todo pecado.

Que seja mágico, tenso e profundo
este instante entre os seus braços:
um açoite - luz do sol na vista;
um impulso - salto no abismo infinito;
um momento levitando na memória.
Mas que não dure mais que um instante.

Vem, e me faz esquecer.

Escrito por Inagaki às 21h46
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Clipping

Vi essa notícia no weblog do No Mínimo: EUA usaram napalm no sul do Iraque. Enquanto a História se repete como uma farsa de péssimo gosto, ouço o Coronel Kurtz sussurrar seu mantra em meus ouvidos: "the horror... the horror..."

* * *

Michele, a cadela de Lula que passeou em carro oficial, foi exilada no apartamento da família em São Bernardo, desde que jornalistas a pegaram no flagra. Tadinha: vida de cão deve ser chata pra cachorro... E por falar em cachorradas, alguém aí se lembra da Orca, a cadela do folclórico ex-ministro do Trabalho Antonio Magri, que se notabilizou por ter inaugurado essa moda de cães andarem em carros oficiais? Até hoje guardo na memória a antológica justificativa de Magri: "O cachorro é um ser humano como qualquer outro".

* * *

Qualquer comercial de cerveja propaga a maior das obviedades estereotipadas a respeito do universo masculino: homens gostam de mulher e futebol. O que dizer, pois, quando surge na tela a figura (e as belas pernas) de Ana Paula de Oliveira, bandeirinha que roubou a cena no final do Campeonato Paulista do último sábado entre Corinthians e São Paulo? Não tardou para que revistas masculinas se apressassem em procurar Ana Paula propondo-lhe as famosas fotos de "nudez artística" (ah, os eufemismos). Embora a assistente de arbitragem ainda relute em posar nua, pelada, desnuda, au naturel e sem roupa nenhuma, há esperanças. Em chat promovido pelo site Futebol Interior, Ana Paula, ao questionada sobre o que acha do Paparazzo (página especializada em fotos "sensuais" de participantes do Big Brother e atores globais), respondeu: "Eu acho bacana! É um site sensual, um site legal!".

* * *

O que seria do show business se não fossem os oportunistas? No Egito, o cantor Shaaban Abdel Rahim colhe os louros do sucesso de uma música intitulada "Bakra Israel" (Ódio a Israel). Nessa canção, Shaaban comete versos como: "Inspecionem Israel!/ Há muitas armas de destruição/ Em massa por lá". Enquanto uns incitam preconceitos imbecilizantes, nos Estados Unidos o documentário Uncle Saddam está para ser lançado em DVD. Dirigido pelo francês Joel Soler, o filme mostra o líder iraquiano jogando uma granada (!!!) num lago para pescar. Em outra singela cena, Saddam é beijado por alguns de seus asseclas no... sovaco. A empresa que está lançando o filme dos Estados Unidos afirma que o lançamento do DVD em meio à guerra no Iraque é apenas "mera coincidência".

* * *

Brasília, Rio de Janeiro, Presidente Bernardes, Maceió, Piauí... Batata quente em forma de traficante, as perambulações de Fernandinho Beira-Mar pela Terra Brasilis me fazem lembrar uma bala solitária no tambor de um revólver. Nessa roleta russa com tempero tupiniquim, a pergunta inevitável que vem à mente é: nos miolos de qual estado essa bala será engatilhada?

Escrito por Inagaki às 08h02
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Nos subterrâneos do metrô

weblog do No Mínimo: EUA usaram napalm no sul do Iraque. Enquanto a História se repete como uma farsa de péssimo gosto, ouço o Coronel Kurtz sussurrar seu mantra em meus ouvidos: "the horror... the horror..."

* * *

Michele, a cadela de Lula que passeou em carro oficial, foi exilada no apartamento da família em São Bernardo, desde que jornalistas a pegaram no flagra. Tadinha: vida de cão deve ser chata pra cachorro... E por falar em cachorradas, alguém aí se lembra da Orca, a cadela do folclórico ex-ministro do Trabalho Antonio Magri, que se notabilizou por ter inaugurado essa moda de cães andarem em carros oficiais? Até hoje guardo na memória a antológica justificativa de Magri: "O cachorro é um ser humano como qualquer outro".

* * *

Qualquer comercial de cerveja propaga a maior das obviedades estereotipadas a respeito do universo masculino: homens gostam de mulher e futebol. O que dizer, pois, quando surge na tela a figura (e as belas pernas) de Ana Paula de Oliveira, bandeirinha que roubou a cena no final do Campeonato Paulista do último sábado entre Corinthians e São Paulo? Não tardou para que revistas masculinas se apressassem em procurar Ana Paula propondo-lhe as famosas fotos de "nudez artística" (ah, os eufemismos). Embora a assistente de arbitragem ainda relute em posar nua, pelada, desnuda, au naturel e sem roupa nenhuma, há esperanças. Em chat promovido pelo site Fute0 alt="Conselho de amigo: segure bem seu guarda-chuva.">

Viajar de metrô é algo que faz parte do cotidiano do paulistano desde 1974, quando começou a operação comercial da Linha Azul, unindo os bairros de Santana e Jabaquara. Atualmente a cidade de São Paulo possui 57,6 quilômetros de linhas, através das quais circulam em média 1,8 milhão de passageiros nos dias úteis. São números que impressionam, mas que não revelam as histórias por trás das estatísticas. Por exemplo: você sabia que, toda vez que o vagão do metrô pára entre duas estações (e você xinga a Deus e o mundo porque nunca sabe o que está ocorrendo e nem quando é que o maldito trem voltará a circular), isto ocorre porque muito provavelmente alguém derrubou um objeto dentro da linha? Foi o que me aconteceu no sábado à noite.

Estava eu às 20 horas na estação Paraíso, atrasado (para variar) a um encontro com S., minha namorada, que não costuma ser nem um pouco complacente com atrasos. Aguardava eu o trem, todo angustiado, pouco antes da faixa amarela, quando outro paulistano, apressado como qualquer habitante desta cidade neurótica, esbarrou em mim. Resultado: o guarda-chuva que eu segurava (ê cidade da garoa...) caiu dentro da linha. Imediatamente lembrei-me da Lei de Murphy: "não há nada que não esteja ruim que não possa ser piorado". Saí correndo em busca de um funcionário que pudesse retirar rapidamente o objeto de dentro da linha, e cheguei até a SSO (Sala do Supervisor de Operações). Cada estação do metrô possui uma SSO, e é o funcionário que trabalha nessa sala quem é o responsável por aquelas mensagens que ouvimos nos alto-falantes do metrô, do tipo "não dê esmolas dentro das estações".

A supervisora de plantão daquela noite, Maria Luz, 43 anos, já começou me dando sermão: "por isso é que a gente avisa para que as pessoas aguardem os trens antes da faixa amarela!". Paciência. Ela me avisou que eu teria de esperar até que algum funcionário descesse para retirar meu guarda-chuva. A essa hora eu já antecipava o rosto furioso da minha namorada (já estava 15 minutos atrasado) e estava louco pra esquecer o guarda-chuva, mas Maria Luz me informou que a operação seria rápida. Após chamar um operador pelo interfone, a próxima providência da supervisora foi anunciar ao microfone do metrô: "atenção - não ultrapasse a faixa amarela". Ela olhava para mim enquanto pronunciava essas palavras.

A esta altura do campeonato, dois trens já tinham passado e eu nem queria mais saber do guarda-chuva, mas enfim, quem está na chuva é para se molhar. Após oito intermináveis minutos, chegou Paulo Machado, 35 anos, responsável pela manutenção do Metrô. Informei-o onde estava meu guarda-chuva. Constatando que não seria necessário descer para retirá-lo da linha, Paulo entrou na SSO, vestiu um colete laranja e fez uma ligação para a Administração, solicitando permissão para a retirada de um objeto.

Conversando a respeito do incidente, Paulo disse-me que felizmente um gancho seria suficiente para a retirada do objeto. "Se eu tivesse que descer até os trilhos, teríamos que desligar a eletricidade de todas as linhas do metrô, e todos os 98 trens da nossa frota parariam até que seu guarda-chuva fosse retirado", explicou. Caramba! Foi aí que descobri o porquê daquelas paradas que os trens fazem entre uma e outra estação: por causa de infelizes como eu, que derrubam objetos dentro das linhas. Quando há uma parada mais prolongada, e o ar-condicionado e as luzes são desligados, com certeza é porque há um funcionário que teve de descer até os trilhos. Segundo informações retiradas da home-page do
Metrô, a Eletropaulo alimenta as linhas com tensão de aproximadamente 88.000 volts.

A operação foi rápida: apenas o tempo de encaixar o gancho no guarda-chuva. Enquanto o próximo trem não chegava, perguntei a Paulo qual foi o caso mais inusitado que ele já tinha testemunhado sobre objetos caídos. "Houve um rapaz que inventou de mostrar a aliança pra noiva justamente em frente à linha. Ela deve ter ficado emocionada demais, e você pode imaginar o escândalo que ela fez quando derrubou a aliança. Até desligarmos a tensão e resgatar o objeto, levamos 30 minutos, atrasando todos os trens. A noiva acabou desmaiando de tanto nervosismo". Ainda segundo o site do Metrô, no ano passado foram atendidos em primeiros-socorros, pelos funcionários das estações, 12.635 pessoas, sendo 1.398 usuários acidentados, 9.327 usuários acometidos de mal súbito, 785 casos de embriaguez, 545 casos diversos (agressões, tentativas de suicídio, distúrbios psiquiátricos e outros) e 850 auxílios a público externo.

Tudo resolvido, agradeci ao Paulo e a Maria Luz, que despediu-se de mim com ternas palavras: "cuidado com a faixa amarela!". Quanta simpatia. Após 25 minutos de atraso, finalmente peguei o vagão que me levaria ao Terminal Rodoviário do Tietê, onde encontraria S. Dentro do trem, constatei os danos: duas varetas quebradas. Poucos, diante do que minha namorada faria comigo. Para completar a história: na estação Luz (quanta ironia) o vagão parou e as luzes se apagaram. Enquanto imaginava Paulo descendo nos trilhos para retirar mais um objeto, antecipava as poucas e boas que teria de escutar naquela noite, e pensava se não seria mais convincente dizer a S. que me atrasei porque os pneus do metrô furaram.

P.S.: A republicação do texto acima, escrito originalmente em 21 de setembro de 1998, é uma pequena homenagem a "S.", que faz aniversário no dia de hoje. Não somos mais namorados (nossa relação não terminou por causa do meu atraso, não se preocupem), mas nem por isso deixamos de nos falar. Nossa amizade permanece firme e forte, e assim o será para sempre. Um beijabraço procê, "S."! \( ^_^ )/

P.P.S.: Infelizmente ] [ envie esta mensagem ]



O melhor Oscar dos últimos tempos

Em 13 de fevereiro, pouco após a divulgação da relação de candidatos ao Oscar deste ano, destaquei quatro indicações que haviam me deixado feliz: Nicole Kidman na categoria de Melhor Atriz por As Horas, A Viagem de Chihiro (Spirited Away), de Hayao Miyazaki, para Melhor Longa de Animação, Michael Moore e seu Jogando Boliche em Columbine para Melhor Documentário e Pedro Almodóvar disputando os prêmios de Direção e Roteiro Original com seu magistral trabalho em Fale Com Ela. Preciso dizer, pois, o quanto fiquei satisfeito com a lista de premiados anunciada neste último domingo?

Foi a cerimônia mais emocionante dos últimos tempos. Ao contrário das barbadas de outros anos, o suspense em saber quem levaria o prêmio de Melhor Filme perdurou até a hora em que Kirk e Michael Douglas anunciaram o Oscar principal para Chicago. Sim, o musical dirigido por Rob Marshall era o filme favorito. No entanto, depois de O Pianista ter recebido as estatuetas de Melhor Ator, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Diretor, já estava com a convicção de que a Academia consagraria de vez o belo drama de Roman Polanski, diretor polonês responsável por outros grandes filmes como Repulsa ao Sexo, O Inquilino e Chinatown.

Em compensação, a merecida premiação para Polanski representou mais uma derrota para Martin Scorsese. Ok, foi um resultado justo: O Pianista é muito mais filme que Gangues de Nova York. O grande problema do épico de Scorsese está no excesso de ambição: o filme fala de corrupção, política, violência, conflitos raciais e a formação da nação norte-americana, e ainda emenda tudo com uma história de amor mal ajambrada. A impressão nítida que tive é de ser o típico filme que só poderá ser realmente apreciado quando for lançado o director's cut, daqueles com mais de quatro horas de duração. Não à toa, Scorcese e sua produtora, a Miramax, tiveram discussões seríssimas a respeito da montagem do filme. Mas, a julgar pelo talento do diretor de Taxi Driver e Depois de Horas, não pestanejo em afirmar que a versão final de Gangues de Nova York será a obra-prima definitiva de Scorcese: esperem para ver.

Adrien Brody aproveitando os louros da fama na excelente companhia da bond girl Halle Berry.Quanto aos méritos de O Pianista, nada a discutir. A seqüência em que o personagem de Adrien Brody toca piano para o oficial nazista é uma das cenas mais pungentes do cinema nos últimos anos, sem contar as outras inúmeras seqüências que entram pela retina e socam o espectador na alma. Oscar de Melhor Ator mais do que merecido, pois, para Brody. Que, de quebra, roubou um beijo da deliciosa Halle Berry, tornou-se o ator mais jovem a receber o Oscar (com 29 anos, superou o feito de Richard Dreyfuss, premiado por A Garota do Adeus aos 30) e ainda proferiu o discurso mais emocionante da noite, ao dizer: "And whatever you believe in, if it's God or Allah, may he watch over you and let's pray for a peaceful and swift resolution".

Não se pode dizer que a premiação de Chicago como Melhor Filme tenha sido injusta. Os números musicais são excelentes, Catherine Zeta-Jones (merecidamente oscarizada como Melhor Atriz Coadjuvante) rouba todas as cenas, e Renée Zellweger e Richarão de cada post). Interessou? Então inscreva-se aqui, e aproveite para conferir os cinco textos selecionados deste mês.

Escrito por Inagaki às 13h20
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O melhor Oscar dos últimos tempos

Em 13 de fevereiro, pouco após a divulgação da relação de candidatos ao Oscar deste ano, destaquei quatro indicações que haviam me deixado feliz: Nicole Kidman na categoria de Melhor Atriz por As Horas, A Viagem de Chihiro (Spirited Away), de Hayao Miyazaki, para Melhor Longa de Animação, Michael Moore e seu Jogando Boliche em Columbine para Melhor Documentário e Pedro Almodóvar disputando os prêmios de Direção e Roteiro Original com seu magistral trabalho em Fale Com Ela. Preciso dizer, pois, o quanto fiquei satisfeito com a lista de premiados anunciada neste último domingo?

Foi a cerimônia mais emocionante dos últimos tempos. Ao contrário das barbadas de outros anos, o suspense em saber quem levaria o prêmio de Melhor Filme perdurou até a hora em que Kirk e Michael Douglas anunciaram o Oscar principal para Chicago. Sim, o musical dirigido por Rob Marshall era o filme favorito. No entanto, depois de O Pianista ter recebido as estatuetas de Melhor Ator, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Diretor, já estava com a convicção de que a Academia consagraria de vez o belo drama de Roman Polanski, diretor polonês responsável por outros grandes filmes como Repulsa ao Sexo, O Inquilino e Chinatown.

Em compensação, a merecida premiação para Polanski representou mais uma derrota para Martin Scorsese. Ok, foi um resultado justo: O Pianista é muito mais filme que Gangues de Nova York. O grande problema do épico de Scorsese está no excesso de ambição: o filme fala de corrupção, política, violência, conflitos raciais e a formação da nação norte-americana, e ainda emenda tudo com uma história de amor mal ajambrada. A impressão nítida que tive é de ser o típico filme que só poderá ser realmente apreciado quando for lançado o director's cut, daqueles com mais de quatro horas de duração. Não à toa, Scorcese e sua produtora, a Miramax, tiveram discussões seríssimas a respeito da montagem do filme. Mas, a julgar pelo talento do diretor de Taxi Driver e Depois de Horas, não pestanejo em afirmar que a versão final de Gangues de Nova York será a obra-prima definitiva de Scorcese: esperem para ver.

Adrien Brody aproveitando os louros da fama na excelente companhia da bond girl Halle Berry.Quanto aos méritos de O Pianista, nada a discutir. A seqüência em que o personagem de Adrien Brody toca piano para o oficial nazista é uma das cenas mais pungend Gere surpreendem positivamente cantando e dançando. A temática do filme não poderia ser mais atual: crimes passionais que ganham manchetes de jornais, e a tendência da mídia de transformar qualquer tragédia humana em espetáculo a ser consumido. Em tempos nos quais uma guerra é transmitida com intervalos para comerciais, nada poderia ser mais adequado.

Fazendo um balanço final, a constatação que faço é de que o Oscar deste ano, contrariando o tão criticado conservadorismo da Academia, surpreendeu positivamente ao premiar uma animação japonesa (A Viagem de Chihiro), um roteirista espanhol (Almodóvar), um rap como Melhor Canção Original (Lose Yourself, do enfant terrible Eminem), um cineasta polonês condenado na América por sedução de menores (Polanski) e (propositadamente deixei o melhor por último) um documentário, Jogando Boliche em Columbine, dirigido por Michael Moore, um homem que não pestaneja em se autodenominar o inimigo número 1 do Presidente dos Estados Unidos em tempos de guerra.

Michael Moore, o homem que ofuscou as estrelas de Hollywood.Foi de lavar a alma ver Michael Moore, que além de cineasta escreveu o livro "Stupid White Men... and Other Sorry Excuses for the State of the Nation!" ("Brancos e Burros... e Outras Desculpas Esfarrapadas para o Estado da Nação"), subir ao palco e achincalhar Bush Júnior com um discurso duro, sincero e preciso: "Nós gostamos de não-ficção, mas vivemos uma era fictícia, na qual tivemos resultados eleitorais fictícios que elegeram um presidente fictício. Uma era na qual temos um homem que nos manda à guerra por razões fictícias. Que vergonha, senhor Bush, que vergonha. O seu tempo acabou".

Deus (seja ele conhecido como Alá, Buda, Jeová, Zeus ou Tupã) queira que essa onda de antiamericanismo que ameaça invadir o planeta não impeça as pessoas de lembrarem que a terra do Tio Sam ainda possui gente da estirpe e da coragem de um Michael Moore.

Escrito por Inagaki às 13h15
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Amadeu Bocatios, André "Marmota", Augusto Sales, Cremilson Luiz, Danilo Amaral, Diga Mello, Edney Souza, Elayne Cirne, Elis Marchioni, Emerson Santana Pardo, Fabiana "Jaspion", Fabio Danesi Rossi, Fábio Sampaio, Fernanda "Pi", Gustavo de Almeida, Ian Black, Iosif Landau, Jeannie, Jerusa, Juan Saavedra, Júlia H., Julie, Juninha, Leandro, Leonardo Bertozzi, Li, Marcela "Capitu", Matusalém Matusca, Miss Walker, Musa, Nelson Moraes, Nicole Bernardes, Paula Pimenta, Renata Mazoco, Ronaldo Inagaki, Sarah Ivich, Suely Coelho, Suzi Hong, Wagner Tamanaha, Your Soul e todos os leitores que não citei (qualquer coisa, deixem um puxão de orelhas virtual em mim no espaço dos comentários, ok?): meu muito obrigado a todos vocês, seja pelo voto, pela torcida ou pela publicação deste banner bacana.

Vote em Pensar Enlouquece no iBest Blog!

Faltam 23 dias para o final da votação do Top 3, e cada ajuda a mais que vier será bem-vinda. Convoque seus pais, irmãos, tios, primos, paqueras, vizinhos, colegas de trabalho, escola, acupuntura, hospício, elevador, academia e reunião de condomínio para esta peleja! Mas, se os singelos olhos puxados deste escriba que vos escreve não forem argumentos suficientes para o voto neste blog, avise-os que cada votante cadastrado no iBest concorre a um Citroën Xsara Picasso zerinho. :)

UPDATE: Novos agradecimentos, desta vez a Christiane de Assis Pacheco, Flavia Ballve-Boudou, Jorge Rocha, Julio César Andolini e Lucy. Em tempo: Bárbara, acabei de receber o livro do seu pai, brigadaço! :) E, Denis, creia-me: não tenho a cara de pau necessária pra ficar fazendo campanha em baladas...

Escrito por Inagaki às 11h20
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Mecca Cola, um refrigerante islamicamente correto.Não sou favorável a essas campanhas de boicote a produtos norte-americanos. Esse tipo de iniciativa me faz lembrar as bravatas daquele José Bové, ativista francês que acha que apedrejar lojas do McDonald's é uma maneira eficaz de protestar contra a globalização. Só para ilustrar: o grupo do Big Mac é o quarto maior empregador privado do Brasil. Mas enfim, cada um tem a sua maneira de protestar contra a chacina promovida por Bush Júnior. Só não concordo com a busca por bodes expiatórios que pouco têm nada a ver (a não ser as origens gringas) com as patacoadas do governo norte-americano (vide posts abaixo).

De qualquer modo, confesso que se a Mecca Cola fosse vendida no Brasil, não hesitaria em comprar algumas garrafas no lugar da Coca de sempre. Primeiro, porque alimentei uma simpatia irresistível a partir do seu slogan: "No more drinking stupid, drink with commitment!". Depois, porque a bebida destina 20% de suas rendas a projetos sociais em Cisjordânia e Gaza, assim como a associações que apóiam a criação de um Estado palestino. Em terceiro lugar, porque o inventor da Mecca Cola, o empresário franco-tunisiano Tawfik Mathluthi, anunciou para breve a criação da rede de lanchonetes Halal Fried Chicken, um cover islâmico da Kentucky Fried Chicken. Adorei isso: combater a hegemonia econômica norte-americana usando as mesmas armas do rival.

Escrito por Inagaki às 16h09
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Bancários e maratonistas

Em tempos pré-telégrafos, Reuters, jornais ou Internet, os portadores de notícias cumpriam o papel de transmissores das boas e más novas: eram homens que corriam para lá e para cá, munidos com fôlego de sobra e calos nos pés, encarregados por reis e governantes da tarefa de difundir as notícias mais importantes mundo afora.

Reza a lenda que um desses portadores de notícias, o grego Pheidippides, foi o responsável pela origem da maratona olímpica. Esse infeliz foi encarregado, no ano de 490 a.C., de anunciar a vitória dos gregos sobre os persas em uma batalha ocorrida na região de Maratona. Para tanto, foi obrigado a correr aproximadamente 35 km até a cidade de Atenas. O esforço foi tanto que Pheidippides, ao chegar em Atenas, só teve fôlego para dizer uma palavra: "vencemos". Depois, caiu estatelado no chão: estava mortinho da silva.

Não existem provas que atestem a veracidade da história de Pheidippides, mas o fato é que a profissão de portador de notícias era um ofício tão ingrato quanto ser sósia do Saddam Hussein no Iraque. Se um portador trouxesse más novas, como o anúncio da derrota em uma batalha, os habitantes locais não raramente descontavam sua frustração no lazarento, que acabava sendo assassinado a fim de aplacar a fúria da população (às vezes um sindicato faz uma falta desgraçada).

Como funcionário de banco, cansei de ouvir reclamações desaforadas de clientes indignados com filas, taxas e multas. O mais aporrinhante de tudo é saber que tais queixas são completamente inócuas: por que as pessoas não deságuam sua fúria com os verdadeiros responsáveis, como o diretor de banco que aumenta o valor das taxas, o funcionário da Prefeitura que proíbe o pagamento de tributos com cheques, ou o secretário de finanças que cobra 20% de multa em cima dos IPVAs em atraso? Mas, em vez disso, escoam sua raiva estéril em cima do primeiro infeliz que estiver à sua frente; ai do funcionário azarado que ouve xingamentos e palavrões assim como, na Grécia antiga, os portadores das notícias serviam como bodes expiatórios de toda gama de desgraças.

Ah, a humanidade e suas idiossincrasias.

Escrito por Inagaki às 14h33
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Não sou favorável a essas campanhas de boicote a produtos norte-americanos. Esse tipo de iniciativa me faz lembrar as bravatas daquele José Bové, ativista francês que acha que apedrejar lojas do McDonald's é uma maneira eficaz de protestar contra a globalização. Só para ilustrar: o grupo do Big Mac é o quarto maior empregador privado do Brasil. Mas enfim, cada um tem a sua maneira de protestar contra a chacina promovida por Bush Júnior. Só não concordo com a busca por bodes expiatórios que pouco têm nada a ver (a img src="http://www.inagaki.blogger.com.br/warillusion.jpg" border=0 alt="Fonte: Reuters"> Foto de Jon Mills/Associated Press

Tudo na vida é uma questão de perspectiva. Para quem testemunha o massacre no Golfo refestelado na poltrona de sua casa, comendo pop corns enquanto sintoniza a Fox News, a guerra não passa de uma ilusão de ótica tão atraente quanto um espetáculo de fogos de artifício (a imagem à esquerda mostra o ataque aéreo a um dos palácios de Saddam Hussein).

A foto à direita revela o ponto de vista das trincheiras: um soldado iraquiano que, apesar da bandeira branca que portava, foi assassinado por tropas britânicas. Não posso deixar de lembrar uma passagem de Machado de Assis em seu romance Quincas Borba: "tão certo é que a paisagem depende do ponto de vista, e que o melhor modo de apreciar o chicote é ter-lhe o cabo na mão". Bush Júnior que o diga.

Em tempo: Alexandre Martins de Castro Filho, juiz da Vara de Execuções Penais de Vila Velha, ES, foi assassinado a tiros na manhã de hoje. Castro Filho foi o juiz responsável pela transferência do coronel Valter Gomes Ferreira, acusado de comandar o crime organizado no Espírito Santo, para um presídio federal no Acre. Enquanto o mundo está de olho no Iraque, não esqueçamos nossa guerra particular.

Escrito por Inagaki às 13h13
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