Pensar Enlouquece. Pense Nisto.



Eu, procrastinador compulsivo, não possuo a desejada disciplina para a escrita, e por várias vezes sou obrigado a reciclar velhos textos para espantar as teias de aranha deste espaço virtual. Lamento pelos incautos que acompanham minhas escrevinhações há mais tempo, e acabam se deparando com um festival de reprises digna de Sessão da Tarde. Ainda assim, prefiro isso a agir como muita gente bem intencionada que, meio que compelida por uma injustificada necessidade de atualizar diariamente seus blogs, recheia suas lingüiças virtuais (no bom sentido, pô) com resultados de testes imbecis, fotos de gatos, letras de música ou textos apócrifos do Veríssimo.

O parágrafo acima mata à queima-roupa dois coelhos duma vez: justifico a republicação do texto no post abaixo (outro velho conhecido dos leitores de meu site abandonado no UOL) e a seleção a seguir, digna das melhores compilações do Copy & Paste, na qual apresento cinco excelentes alternativas a todos os leitores que passam por aqui e se decepcionam com a ausência de novos textos recém-saídos do forno dos meus neurônios. Como diria um camarada meu: ih o cara, mó caô, aí ó!


5 BLOGS QUE PRECISAM SER ACRESCENTADOS AO SEU BOOKMARK:

O professor Ralph Hinkley, em seus trajes de super-herói.FDR - "Alguém aí lembra do seriado 'Super-herói americano', que passava no SBT? O super-herói do título era um professor de segundo grau que, certo dia, encontra pela primeira vez extraterrestres fora da sala de aula. Não se sabe por que diabos, os pequenos homens verdes vão com a cara do professor e lhe oferecem uma roupa de presente. Claro que nãpara um recital do tipo. Principalmente aos que vêm invariavelmente acompanhados por conclamações de "companheiros" a favor de causas como o Movimento pela Libertação das Mulheres Oprimidas da Albânia, a Associação dos Confeiteiros Anárquicos Contra a ALCA e afins.

Indignação com o status quo não precisa rimar, necessariamente, com patrulhagens ideológicas. Não me deixa mentir o babulina Jorge Ben, que antes de se tornar Benjor cunhou diversos álbuns obrigatórios em qualquer discoteca que se preze. Uma das melhores descrições da falta de perspectivas da classe média brasileira, a co uma roupa normal. Ninguém viaja sete milhões de anos-luz para dar uma roupa normal de presente. A roupa é mágica. Dá superpoderes ao professor. Se você tem superpoderes, sabe que não é nada fácil aprender a usá-los. Por isso o professor também recebe um manual. Ele perde o manual. Passa então a voar trombando em outdoors e a cometer outras trapalhadas, enquanto tenta combater o mal e a injustiça.

Eu desci a Terra em 1974 e ainda não aprendi a viver direito. Também perdi o meu manual. Seu título era: 'Como se comportar durante sua infeliz vida no Planeta Terra'. Alguém aí ainda o tem? Poderia me enviar uma cópia?
"

* * *

como assim dois uísque? - "a árvore foi caindo como se ainda quisesse estar em pé, numa relutância de galhos e folhas poucas vezes vista. rangendo e se lamentando, resisitindo aos choques do metal afiado contra seu caule, sem sucesso. caiu e levou consigo mais de um século de animais que por ali passaram, viveram, se criaram e parasitaram, morreram e mataram. enxugando o suor da testa com as costas da mão e bufando, o lenhador percebeu que ali, naquela árvore, andara de balanço quando era criança, que na sombra dela tivera seu primeiro beijo na sua primeira mulher, que ali escondera por birra, há muito e entre os galhos mais altos, um martelo de seu irmão, por fim esquecido, quando o tempo de trabalhar chegou. azar, ainda tinha muitas pra cortar e não podia ficar perdendo tempo com nostalgia. caminhou à arvore adjacente e deu o primeiro golpe no caule, que estremeceu sentindo o fim. um martelo enferrujado lá dos galhos mais altos caiu, acertando-lhe a cabeça e matando-o na hora.

alguém teve a mesma idéia que ele, talvez antes, talvez depois.

vida besta.
"

* * *

Radamanto - "Eu, como descendente direto de italianos, requeiro quotas. Minha genética européia me põe em desvantagem com os habitantes mais brasileiros que eu (entenda-se os de pele mais escura que a minha). Não suporto o calor dos trópicos, para o qual não fui talhado, sendo que meus ascendentes vêm de regiões frias e alpinas. Na escola, meus amigos me desprezavam e humilhavam, me chamavam de 'cabeça de brachola', 'projeto de Mussolini' e 'filhote de Albinoni com Mama Bruscheta'. Até os 12 anos meu apelido era Lasanha. Tinha que ouvir as piadas racistas contra os italianos calado e quando o Brasil jogava contra a Itália, os outros moleques ameaçavam me espancar caso a Itália ousasse vencer. Paolo Rossi era meu vingador secreto, eu guardava um velho recorte de jornal com uma foto sua estampada. Às vezes, à noite, tirava a fotinha da minha caixa de coisas secretas e ficava a contemplar sua esguia figura repetindo para mim, baixinho: 'forza azzurra!'."

* * *

Pura Goiaba - "Quando criança, eu acreditava que o mundo fosse bom - um lugar em que Rose Di Primo deixava cair uma gota de iogurte Chambourcy entre seus seios e Perla nos convidava para uma viagem pelos rios da Babilônia no seu barco azul. Mas tudo isso desmoronou: Rose Di Primo virou evangélica, o iogurte Chambourcy não existe mais e Perla há muito tempo não fala de barcos, embora continue cantando 'Recuerdos de Ypacaraí'. Faz sentido: o mundo foi feito para acabar numa bela guarânia."

* * *

Alexandre Soares Silva - "'Morre um liberal, mas não morre a liberdade', disse Libero Badaró ao ser assassinado em 1830.

Que frase estupidamente pomposa. Especialmente na hora da morte. Fico imaginando, nesse momento, seus filhos se entreolhando: 'Ai, como papai é chato'.

Se eu morrer na rua, espero ter algo espirituoso para dizer, ou não dizer nada. Ou, vá lá, dizer algo banal, humano, como 'Tem uma pedra debaixo da minha bunda, tira, tira!' Mas não uma coisa pomposa dessas como a que Libero Badaró disse. Imagine uma atriz pornô dizendo ao morrer: 'Morre uma atriz pornô, mas não morrem os filmes pornôs'. Não, atrizes pornôs são menos pomposas (de modo geral) do que um idealista político; o que me faz pensar que, se eu passar por uma rua em que um idealista político e uma atriz pornô estão morrendo ao mesmo tempo, vou ouvir o que a atriz pornô tem a dizer, que deve ser menos chato.
"

Escrito por Inagaki às 11h43
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O Amor e a Miopia


Quando eu tinha oito anos de idade, fui a um oftalmologista, que diagnosticou um "comecinho" de miopia em meus olhos. "Muita televisão", disse ele em tom de sermão. Meu grande receio, passando a usar óculos, era o das gozações dos amigos; temia ser apelidado de "quatro olhos" (como crianças são imbecis). Mas enfim, se era preciso, era preciso.

Bem, de fato passei a enxergar melhor: o mundo ficou muito mais claro e nítido. Diante das vantagens óbvias, deixei de ligar para as gozações maldosas. Minha adaptação foi rápida e indolor, e fiquei tão acostumado com os óculos que só faltava tomar banho com eles.

Mas o caso é que, desde então, a cada nova consulta que fazia com o oftalmologista, eram-me receitadas lentes cada vez mais fortes. Se antes eu conseguia enxergar as coisas razoavelmente bem sem óculos, em poucos anos tornei-me extremamente dependente deles. Aos 23 anos, estava com sete graus de miopia.

Tenho uma amiga que possui hipermetropia, pero no mucho (meio grau no máximo), e que se recusa terminantemente a colocar óculos. Alega: "não quero deixar minha vista mal-acostumada". Ok, é um pouco vaidosa também. ;-) Mas o fato é que ela tem razão numa coisa: óculos causam dependência. A partir do momento em que você passa a usá-los, seus dias de visão razoável sem a muleta deles estão contados. Há uma razão para isso: muitos oftalmologistas exageram na hora de prescreverem as lentes. Em vez de óculos que te dêem 100% de visão, põem a margem de erro para cima, receitando-os um pouco mais fortes do que efetivamente necessitamos.

Como resultado, passamos a enxergar bem até demais: linhas, contornos e nuances ganham maior contraste. Cada folha de árvore, cada pedregulho na calçada é perceptível aos nossos olhos. Contudo, assim que retiramos os óculos, tudo se torna borrado, como um filme projetado fora de foco. Tornamo-nos dependentes deles; em sua ausência, tudo é desconforto.

O amor é como um par de óculos. Quando estamos apaixonados, passamos a enxergar detalhes do cotidiano que até então nos eram imperceptíveis. O tempo e o espaço tornam-se mais sensíveis ao coração, e nossa vida é irremediavelmente dividida entre antes e depois do amor.

Antes de nos apaixonarmos, a vida que vivíamos parecia boa e tudo estava claro. Mas, quando acaba uma relação, o chão sob nossos pés nos é retirado. Agora vejo com nitidez: sem amor, a vida perde o foco.

Escrito por Inagaki às 10h55
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Zapping


É pá e bola!O futebol brasileiro passa por uma penúria comparável à da minha conta bancária, que, feito a temperatura no Pólo Norte, está sempre abaixo de zero. Por essas e outras, vibrei quando soube que o SBT decidiu voltar a exibir eventos esportivos, quebrando finalmente o monópolio mediocrizante exercido pela Rede Globo de Televisão. Deixando de lado todo o imbróglio jurídico envolvendo os direitos de transmissão do Campeonato Paulista, gostaria muito de parabenizar o SBT por montar novamente uma equipe de esportes. Mas...

Ok, o pessoal até que é esforçado. É nítido ver o esforço, por exemplo, de comentaristas como Mariah Moraes ou Léo Jaime, que, nota-se claramente, buscam se informar previamente sobre cada time ou jogador antes de cada transmissão. Contudo, a impressão que eles me dão é de serem estranhos no ninho, feito o Chico Anysio (pela Globo) ou o Toquinho (através da Bandeirantes) na Copa de 1994. E o que dizer das narrações de Dirceu Maravilha, responsável pelo infame bordão "se a bola for pro gol, me chama que eu vou"? Ou de repórteres como Silvia Vinhas, que outro dia afirmou que o Corinthians jogaria num hipotético esquema 4-4-3? E o que dizer das transmissões estarem sendo ancoradas por Elia Júnior, apresentador tão empolgante quanto uma partida entre o Cabofriense e o XV de Jaú?

Quem diria que um dia eu seria capaz de sentir falta do Galvão Bueno narrando um jogo de futebol? A que ponto chegamos...

* * *

Baixinho da Kaiser, uma espécie extinta.Reclama-se muito dos atuais comerciais de cerveja, que insistem na mesma tecla ao associarem os prazeres etílicos a mulheres gostooooooosas. Pessoalmente, não tenho nada contra. Eu não vou beber mais cerveja só porque a Pietra Ferrari, a Luize Altenhofen ou a Ellen Rocche aparecem de biquini com uma lata de Skol na mão, assim como só um imbecil seria capaz de acreditar que um maço de Marlboro significa passaporte garantido para uma terra repleto de aventuras, paisagens bonitas e cavalgadas ao léu. "Mas o mundo é repleto de imbecis que caem nessas arapucas", alguém retruca. Ok, ponto para você.

No entanto, apesar desses comerciais glorificarem mulheres curvilíneas e com padrão de beleza quase irreal, nunca vi nenhuma amiga minha se queixar seriamente desses estereótipos de mulher-objeto. Até que uma cervejaria lançou em sua mais recente campanha o slogan "essa merece uma Kaiser", associando sua marca às coisas boas da vida que merecem ser "bebemoradas" com os camaradas. A primeira versão do comercial exibe os atores Marcos Palmeira e Vladimir Brichta babando, como em todo comercial de cerveja que se preze, com alguma gostosuda em trajes sumários. O bolo desandou feio a partir da segunda parte da campanha, estrelada por Fernanda Torres, que se propõe a veicular a versão feminina da coisa. Veja algumas pérolas deste comercial:

- Liquidação no shopping? Essa merece uma Kaiser! Depilação com cera quente? Essa não merece uma Kaiser! Ir ao banheiro com as amigas? Ahh, essa merece uma Kaiser...

Convenhamos: pior que uma mulher-objeto, só uma que é fútil e consumista. Quando descrevi esse comercial, Suzi ficou justificadamente indignada, e sugeriu outras "bebemorações" muito mais adequadas para a mulher deste começo de século:

- Ser promovida no emprego? Essa merece uma Kaiser! Orgasmo múltiplo? Essa merece uma Kaiser (e um cigarrinho depois...)!

Ainda falando sobre "publiciotários", eu poderia jurar que foi um leitor dos trotes do Cocadaboa o autor da brilhante (sic) idéia de convidar a Sandy para estrelar um comercial recomendando o uso de camisinha em certa campanha de prevenção da Aids...

* * *

Nobody said it was easy / No one ever said it would be this hard/ Oh take me back to the startVideoclipes também podem ser formas de arte. Quem assistiu aos fantásticos clipes da Björk dirigidos pelo francês Michel Gondry sabe do que estou falando. Vídeos musicais, graças à sua curta duração e à maior liberdade artística, têm revelado ao mundo alguns dos mais promissores diretores de cinema da atualidade. É o caso de Spike Jonze, que antes de dirigir Quero Ser John Malkovich foi o responsável por clipes como "Buddy Holly", do Weezer, "Sabotage", dos Beastie Boys, e "Elektrobank", dos Chemical Brothers. Ou de Jonathan Glazer, que, antes de dirigir o filme Sexy Beast, cunhou alguns dos melhores videoclipes de todos os tempos: "Karma Police" e "Street Spirit", do Radiohead, "Virtual Insanity", do Jamiroquai, e "Rabbit in Your Headlights", do U.N.K.L.E.

Não sei se Jamie Thraves já iniciou uma carreira cinematográfica, mas a julgar por seu trabalho em "The Scientist", do grupo inglês Coldplay, acredito que já valha a pena apostar algumas fichas nesse cara. Poucas vezes vi na TV um videoclipe capaz de complementar uma música de uma maneira tão emocionante e criativa. Se você ainda não o assistiu na MTV, não perca tempo: clique aqui ou aqui para assisti-lo. Depois, guarde o nome de seu diretor: Jamie Thraves.

Escrito por Inagaki às 20h14
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Pombos Urbanos

A família de minha mãe, em Inúbia Paulista, quarenta anos atrás.

Algumas das lembranças mais marcantes de minha infância são as viagens que minha família fazia à cidade onde meus avós maternos moravam. Inúbia Paulista é uma cidade pequeníssima do interior de São Paulo, localizada a 578 km da capital. Tem pouco mais de 3.000 habitantes, ou seja, quase a mesma população do Edifício Copan, no centro de Sampa. Ou, para usar uma comparação menos paulistana, pode-se dizer que seriam necessárias quase 25 Inúbias para lotar um Maracanã.

A cidade é uma verdadeira válvula de escape da neurose urbana. Mas nunca foi uma Pasárgada para mim: uma semana em Inúbia era o suficiente para morrer de tédio com a falta de opções de lazer. Em compensação, até hoje é possível colocar uma cadeira no meio da rua, sentar nela e se deliciar, no meio da noite, com o frescor das brisas desbloqueadas de edifícios, e com a beleza que é poder vislumbrar um céu limpo e cheio de estrelas.

Um de meus passatempos prediletos era o "lançamento de chinelos". Sentados na varanda da casa de meus tios Michiko e Tsutomu, eu e meus irmãos balançávamos as pernas a fim de impulsionar nossas havaianas em direção à calçada do outro lado da rua, quase sempre deserta. Descalços, corríamos depois para recolher nossos chinelos, desviando das bostas dos cavalos das carroças que eventualmente passavam.

Também ia muito à casa de meu avô, Shigueo, que criava porcos no quintal, geralmente destinados aos banquetes de Ano Novo. Gostava de arrancar folhas das bananeiras para alimentá-los, e depois ouvi-los mastigando a comida, quando eles oincavam de satisfação.

Mas meu passatempo predileto era assustar pombos. Meu modus operandi consistia em espalhar um monte de grãos de milho no quintal. Depois, aguardava as vítimas se ajuntarem, para sair correndo de sopetão no meio deles. Era de dar gosto ver a pombarada desesperada, voando para todos os lados (crianças são cruéis). Mas nem era preciso tanto esforço para assustá-los: uma mera ameaça de avanço para cima deles já bastava.

Hoje, ao caminhar pelos calçadões de São Paulo, noto que os pombos não têm mais medo de mim. Sou obrigado, na verdade, a tomar cuidado para não pisar em cima deles. Eles não estão nem aí para a gente.

Observando a indiferença dos pombos, vejo que eles se acostumaram em nos aturar. E penso em como me sinto, já anestesiado, toda vez que sou abordado por algum pedinte me solicitando esmola. Crianças vendendo balas em ônibus e famílias morando debaixo de viadutos viraram cenas comuns. Dezenas de pessoas são assassinadas diariamente em São Paulo, e, no entanto, são fatos que não ganham sequer uma linha de rodapé nos jornais. Em Inúbia, um "simples" assalto seria assunto a se comentar meses a fio.

A violência e a pobreza tornaram-se tão banais que fizeram com que a gente reaja com a indiferença desses pombos urbanos. O meu medo é de que chegue o dia em que estaremos tão distraídos que seremos incapazes de perceber, a tempo, o enorme pé que irá nos esmagar.

Escrito por Inagaki às 00h44
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Sinto inveja da desconcertante criatividade das crianças que, sem cabecismos concretistas ou ambições pseudo-literárias, de repente criam do nada sacadas poéticas como esta:

- A cor do céu depende da hora, do tempo e de quem olha. Quem diz que o céu é azul, nem desconfia que, de noite, ele pode ser preto e, quando vai anoitecendo, pode até ser rosa ou vermelho. Quem diz que o céu é azul é analfabeto de céu.

Criança brinca; adulto trabalha; velho pensa. Adultos são o que as crianças se tornam depois que começam a produzir hormônios e a largar sonhos pelo caminho. E é assim que nos tornamos maduros, responsáveis e... burocráticos. Não é de estranhar, pois, o sucesso da coluna que o pediatra Pedro Bloch publicava toda semana na revista Manchete, intitulada "Criança Diz Cada Uma". Nela, Bloch narrava tiradas espontâneas e engraçadíssimas, protagonizadas pelas crianças (de 3 a 11 anos de idade) que passavam pelo seu consultório (como a fala sobre a cor do céu do parágrafo acima). Boa parte desses achados foi compilada no livro "Dicionário do Humor Infantil", da Ediouro.

Eis algumas das melhores definições que encontrei no livro de Bloch:

ADULTO - É uma pessoa que sabe tudo, mas quando não sabe diz logo: "veja na enciclopédia".
AMAR - É pensar no outro, mesmo quando a gente nem tá pensando.
BOCA - É a garagem da língua.
CABELO - É uma coisa que serve pra gente não ficar careca.
CALCANHAR - É o queixo do pé.
CIGARRO - É chupeta de adulto.
COISA - É uma palavra que serve pra qualquer coisa.
DEUS - É a pessoa que dá os presentes pro Papai Noel.
ESPERANÇA - É um pedaço da gente que sabe que vai dar certo.
FÉ - É uma menininha, na praia, esvaziando o mar com um baldezinho de plástico furado.
FUTEBOL - É um jogo em que, às vezes, a trave joga melhor que o goleiro. Pega tudo.
FUTURO - É tudo que vem depois e, quando chega, já era.
MENTIRA - (ouve-se o estraçalhar de um vidro no banheiro e o menino grita) - "É mentira do barulho!"
NEVOEIRO - É poeira do frio.
PIADA - É uma coisa engraçada que perde a graça quando a pessoa avisa que vai ser.
REDE - É uma porção de buracos amarrados com barbante.
REFLEXO - É quando a água do lago se veste de árvores.
RELÂMPAGO - É um barulho rabiscando o céu.
SONO - É saudade de dormir.
STRIP-TEASE - É mulher tirando a roupa toda, na frente de todo mundo, sem ser pra tomar banho.
VEIAS - São raízes que aparecem no pescoço das meninas que gritam.
VIDA - A vida de muita gente é só gol contra.


Escrito por Inagaki às 02h57
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(pensando alto)


Os posts que escrevo estão ficando longos demais.

*

Recomendação da casa: experimente o novo biscoito de milho verde da Nestlé. Seu gosto é simplesmente expressionante, eu nunca vi um biscoito reproduzir um sabor com tamanha fidelidade. Não é como um suco Tang de laranja, por exemplo, em que você percebe nitidamente que está tomando uma bebida de gosto artificialmente simulado. É sério, quase pude sentir os grãos de milho se desmanchando em minha boca.

*

A propósito: qual é a diferença (se é que ela existe) entre biscoito e bolacha? Seriam as bolachas biscoitos com recheio no meio?

*

Ontem assisti, junto com minha namorada, a O Chamado, filme de terror dirigido por Gore Verbinski. Boa diversão, a propósito: quem levou sustos com O Sexto Sentido e Os Outros certamente sofrerá calafrios com essa fita (Suzi pesadelou esta noite com a garotinha do filme). O plot éde ser preto e, quando vai anoitecendo, pode até ser rosa ou vermelho. Quem diz que o céu é azul é analfabeto de céu.

Criança brinca; adulto trabalha; velho pensa. Adultos são o que as crianças se tornam depois que começam a produzir hormônios e a largar sonhos pelo caminho. E é assim que nos tornamos maduros, responsáveis e... burocráticos. Não é de estranhar, pois, o sucesso da coluna que o pediatra Pedro Bloch publicava toda semana na revista Manchete, intitulada "Criança Diz Cada Uma". Nela, Bloch narrava tiradas espontâneas e engraçadíssimas, protagonizadas pelas crianças (de 3 a 11 anos de idade) que passavam pelo seu consultório (como a fala sobre a cor do céu do parágrafo acima). Boa parte desses achados foi compilada no livro "Dicionário do Humor Infantil", da Ediouro.

Eis algumas das melhores definições que encontrei no livro de Bloch:

ADULTO - É uma pessoa que sabe tudo, mas quando não sabe diz logo: "veja na enciclopédia".
AMAR - É pensar no outro, mesmo quando a gente nem tá pensando.
BOCA - É a garagem da língua.
CABELO - É uma coisa que serve pra gente não ficar careca.
CALCANHAR - É o queixo do pé.
CIGARRO - É chupeta de adulto.
COISA - É uma palavra que serve pra qualquer coisa.
DEUS - É a pessoa que dá os presentes pro Papai Noel.
ESPERANÇA - É um pedaço da gente que sabe que vai dar certo.
FÉ - É uma menininha, na praia, esvaziando o mar com um baldezinho de plástico furado.
FUTEBOL - É um jogo em que, às vezes, a trave joga melhor que o goleiro. Pega tudo.
FUTUR interessante, e se baseia em uma lenda urbana: uma misteriosa fita de vídeo que, se assistida, mata o seu incauto espectador após exatos sete dias. Clichês do gênero à parte (um menino que tem premonições, cenas envolvendo televisões fora do ar, escadas e banheiros), o que mais apreciei em O Chamado foi o seu final. Não estragarei o prazer de quem for assisti-lo; só gostaria de comentar que o fim do filme é talvez o mais aterrorizante dos últimos tempos, porque, metafisicamente especulando (uau), sugere que o Mal se alimenta da cumplicidade humana para se perpetuar. E se nós somos cúmplices do Mal, o somos por simples questão de sobrevivência.

Mas tergiverso, tergiverso.

*

A reportagem de capa desta semana da Veja fala de diabetes. Suzi leu um quadro com os sintomas da doença e já começou a achar que tem diabetes também. No meu tempo, eram as reportagens de Hélio Costa no Fantástico que faziam a alegria dos hipocondríacos...

*

Uma frase:

"Ao vencedor, as batatas. E para mim, só uma salada mista, por favor". (Tomás Creus)

Escrito por Inagaki às 17h14
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Minha pátria, minha língua


A difusão de um idioma não depende apenas do número de pessoas que o dominam. Passa, principalmente, por questões de fórum político e econômico. O exemplo mais gritante: a ONU (Organização das Nações Unidas) possui seis idiomas oficiais: inglês, francês, espanhol, chinês, árabe e russo. Não, o português não está entre elas. Portanto, qualquer brasileiro que queira participar de algum congresso ou fórum de discussões nas Nações Unidas é obrigado a dominar uma língua que não seja a sua materna.

À segregação política, segue-se uma correspondente segregação cultural. Um exemplo óbvio: a língua espanhola foi contemplada dez vezes com o Prêmio Nobel de Literatura. Em cinco ocasiões, os vencedores foram escritores da América Latina: a chilena Gabriela Mistral (1945), o guatemalteco Miguel Angel Asturias (1967), o chileno Pablo Neruda (1971), o colombiano Gabriel García Márquez (1982) e o mexicano Octávio Paz (1990). Enquanto isso, a língua portuguesa recebeu apenas um Nobel: em 1998, para o lusitano José Saramago.

Apesar de ser falado por cerca de 220 milhões de pessoas e de ser reconhecido como idioma oficial em oito países (Portugal, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Angola, São Tomé e Príncipe, Moçambique e Timor Leste), o fato é que o português ainda está muito longe de ser um idioma com o qual possamos nos comunicar em qualquer parte do mundo. Apesar de ser uma língua rica, sonora e farta em manifestações culturais, lá fora não passa de um dialeto de pouca penetração, adotado por países pobres ou periféricos.

Levantamento feito em 2000 posiciona o português como o sexto idioma mais falado do planeta, atrás do mandarim (chinês), hindi, espanhol, inglês e bengali. Contudo, é também a única língua materna de grande porte que possui duas formas oficiais de se grafar. Isso, apesar dos esforços de filólogos como Antônio Houaiss (responsãvel pelo mais abrangente dicionário de nossa língua, com mais de 228 mil verbetes), que sempre defendeu a unificação ortográfica da língua portuguesa como maneira de defendê-la e expandi-la em um mundo globalizado.

Entretanto, a pouca penetração cultural e política do idioma português não pode ser atribuída apenas à dificuldade de sua gramática, à complexidade da conjugação de seus verbos ou à disseminação de acentos e sinais gráficos. São muitos os defensores da tese de que o português deve passar por uma revolução a fim de se equiparar ao inglês, língua desprovida desses empecilhos para o aprendizado. Sou absolutamente contrário a isso. Não é uma solução reducionista e empobrecedora como essa que fará com que o mundo se curve à "última f as pessoas que realmente vivem; a maioria delas apenas existe".


Mais do mesmo:

- Saída de Emergência - Texto de Ronaldo Bressane para a revista eletrônica Fraude, dedicado a Alê Faljone, editor da revista Simples. Alê cometeu suicídio, enforcando-se em uma árvore no quintal de sua casa.
- Last Words - Site que compila as últimas palavras pronunciadas por pessoas reais ou personagens ficcionais, além de epitáfios e obituários.
- Superinteressante - Matéria de capa da edição de fevereiro de 2002, escrita pela repórter Maria Fernanda Vomero.

(texto originalmente publicado no Spam Zine 082)

Escrito por Inagaki às 16h03
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