Pensar Enlouquece. Pense Nisto.



Coisas que eu gostaria de saber:

- Qual foi o destino dado ao casal formado por Salvatore e Elena (vide foto à esquerda), na versão remontada de Cinema Paradiso, que, ao que me consta, jamais foi lançada comercialmente no Brasil?

- Existe alguma balada pop com arranjo de cordas tão matador quanto o de "Fear and Love", do Morcheeba?

- Afinal de contas, o que há de engraçado no Seu Creysson?

- Por que Steven Spielberg insiste em estragar obras-primas em potencial inserindo cenas melosas, risíveis e desnecessariamente explicativas? Vide a seqüência em que Oskar Schindler se despede dos judeus lamentando-se: "oh, por que eu não vendi esse relógio? E por que eu não me desvencilhei deste carro? Quantos mais eu poderia ter salvo, snif, snif". Ou o final-família de Minority Report, que ia bem até a redenção do mocinho? Ou a emenda do soneto quase perfeito de A.I., no "segundo final" que se passa após a seqüencia submarina com o robô interpretado por Haley Joel Osment? Por Tutatis, quanto desperdício de talento.

- Que espécie de aura se formou em torno do prefixo "Ro", que faz com que tantos jogadores bons de futebol a carreguem em seus nomes de guerra? Dá até para formar uma seleção, de primeiríssima qualidade, formada quase que exclusivamente por craques que já vestiram a camisa da Seleção Brasileira (há apenas uma exceção: o atacante do Santos). Confiram: Rogério Ceni; Rogério, Roque Júnior, Roger e Roberto Carlos; Rochemback, Robert, Rodrigo Fabri e Ronaldinho Gaúcho; Robinho e Ronaldo.

- Quem veio parar aqui fazendo no Google a busca "Quero montar uma banda de rock com minha alma gêmea"?

- Por que não eu?

Escrito por Inagaki às 03h50
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Papai Noel na visão de Caco Galhardo

Nelito Fernandes, do blog Eu Hein!, tirou as palavras de meu pensamento ao escrever a seguinte reflexão: "só existem duas coisas certas no Natal: seu décimo terceiro não vai dar e você vai receber toneladas de e-mails de 'Feliz Natal'. Pior: eles virão de gente que você nem conhece. Daquele cara da contabilidade. Da mulher da recepção. Daquele sujeito que você mandou um e-mail no início do ano e, sabe-se por que cargas d'água, resolveu te colocar na mailing list dele. Então alguém na sua empresa vai mandar um e-mail reclamando das mensagens de Natal e todo mundo vai responder. Para acalmar os ânimos, um membro da diretoria vai enviar um e-mail falando sobre normas para o bom uso do e-mail".

Pois é. Eu não vejo muita graça no Natal, a efeméride. Pessoas atravancando as ruas com suas sacolas de compras, reprises na TV de infindáveis filmes adaptando o Conto de Natal de Charles Dickens, cumprimentos de gente que mal se importa com você, ou falando em fraternidade e solidariedade em um único e solitário dia do ano. Gostaria de reencontrar minhas crenças no tal Espírito Natalino, que acabou sendo relegado ao fundo do fundo do fundo do saco de um Papai Noel hipotético no qual jamais acreditei de verdade. Mas é difícil ressuscitar crenças enterradas, ainda mais sendo soterrado por propagandas que incitam ao consumismo estéril.

O fato é que o Natal se tornou uma comemoração desenraizada das suas origens. A maioria das pessoas sabe apenas en passant que a data surgiu por causa do nascimento de Jesus Cristo. Que, provavelmente, sequer nasceu em 25 de dezembro. E se alguém vier me dizer que esta é uma época mágica em que a bondade brota dos corações humanos, depois de testemunhar in loco 364 dias de esmolas recusadas e vidros fechados nas esquinas das metrópoles, provavelmente serei obrigado a refrear meu sorriso irônico.

Sinto falta dos tempos em que eu via na TVS (atual SBT) o desenho da Rena do Nariz Vermelho, e via o Natal com olhos mais ingênuos e generosos. Mas enfim, nostalgias estéreis não cicatrizam ilusões que feneceram. A vida, a despeito das provas em contrário, é assombrosamente boa, e alimenta-se do aqui e do agora. Oras, não vale a pena dar presentes às pessoas que amamos? Ou telefonar para um amigo com quem não converso há meses, aproveitando o pretexto da data pra entabular conversas que fluem como se nós não tivéssemos seguido rumos tão diferentes na vida? Ou perceber como é legal reencontrar parentes e trocar idéias, por exemplo, com minha prima de sete anos, tentando explicar a ela as coisas malucas da contemporaneidade, como descrever como conheci minha namorada (serei sempre seu pára-quedas reserva, mocinha) pela Internet?

Toda vez que me meto a escrever sobre o Natal, não resisto a fazer uma citação extraída de um dos meus seriados prediletos, "Anos Incríveis". Imaginem a voz de Kevin Arnold em off:

"Naquele ano o Natal deixou de significar para mim enfeites e presentes, e começou a significar recordações. No começo fiquei um pouco desapontado, mas aprendi que a memória é uma maneira de reter as coisas que amamos, as coisas que somos, as coisas que não queremos perder nunca. E o que aprendi com Winnie foi que, num mundo que muda tão depressa, o melhor que podemos fazer é desejar aos outros um Feliz Natal. E muita sorte".

Datas são apenas convenções. Por isso, pouco importa se haverá peru ou pedaços requentados de pizza na ceia, nota fiscal na mão para trocar um presente que não agradou, luzes chinesas enfeitando a fachada do prédio, panetones amanhecidos no café da manhã do dia seguinte. Desejo apenas isso: muita sorte, esperança e generosidade para cada um de nós. Seja hoje, seja sempre.

Escrito por Inagaki às 19h07
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Então é Natal...

... mas, pelamordedeus, a versão horrenda que a Simone gravou de "Happy Xmas (War is Over)", de John Lennon, não será minha trilha sonora nesta época do ano. Canção muito melhor é "Boas Festas", composta por Assis Valente:

Anoiteceu, o sino gemeu
A gente ficou feliz a rezar
Papai Noel, vê se você tem
A felicidade pra me dar

Eu pensei que todo mundo
Fosse filho de Papai Noel
Vem assim, felicidade
Eu pensei que fosse uma
Brincadeira de papel

Já faz tempo que eu pedi
Mas o meu Papai Noel não vem
Com certeza já morreu
Ou então Felicidade
É brinquedo que não tem


O leitor atento percebeu que a letra, apesar de bonita, é lúgubre e dociamarga até não poder mais. Não admira que Assis Valente, compositor de outros clássicos da MPB como "... E o Mundo não se Acabou" e "Camisa Listrada", tenha se matado ao ingerir guaraná com formicida (fim do ano é uma época deveras melancólica).

Mas o Natal tupiniquim possui outros hinos não-oficiais mais edificantes. Por exemplo, o inesquecível jingle da Varig, composto pelo publicitário Caetano Zama:

Estrela das Américas no céu azul
Iluminando de Norte a Sul
Mensagem de amor e paz
Nasceu Jesus, chegou o Natal
Papai Noel voando a jato pelo céu
Trazendo um Natal de felicidade
E um Ano Novo cheio de prosperidade


Ok, a Varig é uma empresa aérea quase falida, aparentemente prestes a seguir o mesmo caminho da finada Panair. Mas certos jingles possuem a capacidade de ficarem na memória afetiva, perdurando mais que a própria empresa que os encomendou. Um exemplo? "Quero Ver Você Não Chorar", criado para o comercial de Natal do Banco Nacional (dirigido por Lula Vieira), de autoria de Edson Borges de Aguiar, vulgo Passarinho, grande parceiro de Dolores Duran. Originalmente uma canção composta para o grupo "Os Titulares do Ritmo", Passarinho fez umas adaptações na letra, que acabou se tornando o jingle popularmente conhecido como o "Melô do Sexo Anal". Ah, esse pessoal leva tudo por trás...

Quero ver
você não chorar
não olhar pra trás
nem se arrepender do que faz

Quero ver
o amor vencer
mas se a dor nascer
você resistir e sorrir

Se você
pode ser assim
tão enorme assim
eu vou crer

Que o Natal existe
que ninguém é triste
que no mundo há sempre amor

Bom Natal, um Feliz Natal
muito amor e paz pra você
pra VOCÊ...


Desgraçadamente este jingle ganhou nova versão interpretada por Zezé di Camargo & Luciano, e hoje embala os infames comerciais natalinos das Lojas Marabrás. Como diria Kléber Bambam, "faz parte". Enfim. Falando em assuntos globais, outra trilha sonora inevitável de fim de ano é "Um Novo Tempo". Canção composta pelo trio Marcos Valle, Nélson Motta e Paulo Sérgio Valle, embala as mensagens de ano da Rede Globo desde 1971:

Hoje é um novo dia de um novo tempo que começou
Nesses novos dias as alegrias serão de todos, é só querer
Todos os nossos sonhos serão verdade, o futuro já começou
Hoje a festa é sua, hoje a festa é nossa
É de quem quiser, quem vier


As versões originais desses clássicos da propaganda podem ser conferidas no site do programa de Lula Vieira, veiculado na rádio CBN:

http://radioclick.globo.com/cbn/colunas/jinglesinesqueciveis.asp.

(publicado originalmente no Spam Zine edição 085 e 1/2 - assine djá!)

Escrito por Inagaki às 06h26
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Há tempos não publico um poema meu por aqui. Portanto...

O Código Secreto das Estrelas

Leio nas entrelinhas do teu sorriso
rumores, canções que falam em pássaros.
Teus passos soletram pelas calçadas
sussurros de sombras por entre pétalas secas.

Teu amor, miríade de galáxias sem sintaxe,
hoje tateia as lágrimas que não escorreram
enquanto o tempo traça no vidro da memória
confusas lembranças que mordem ferozes.

Falo de sonhos como quem tange nuvens,
e releio tardes de primaveras sangrentas
em que teu calor se espalhava feito pólen,
decifrando o código secreto das estrelaetra, apesar de bonita, é lúgubre e dociamarga até não poder mais. Não admira que Assis Valente, compositor de outros clássicos da MPB como "... E o Mundo não se Acabou" e "Camisa Listrada", tenha se matado ao ingerir guaraná com formicida (fim do ano é uma época deveras melancólica).

Mas o Natal tupiniquim possui outros hinos não-oficiais mais edificantes. Por exemplo, o inesquecível jingle da Varig, composto pelo publicitário Caetano Zama:

Estrela das Américas no céu azul
Iluminando de Norte a Sul
Mensagem de amor e paz
Nasceu Jesus, chegou o Natal
Papai Noel voando a jato pelo céu
Trazendo um Natal de felicidade
E um Ano Novo cheio de prosperidade


Ok, a Varig é uma empresa aérea quase falida, aparentemente prestes a seguir o mesmo caminho da finada Panair. Mas certos jingles possuem a capacidade de ficarem na memória afetiva, perdurando mais que a própria empresa que os encomendou. Um exemplo? "Quero Ver Você Não Chorar", criado para o comercial de Natal do Banco Nacional (dirigido por Lula Vieira), de autoria de Edson Borges de Aguiar, vulgo Passarinho, grande parceiro de Dolores Duran. Originalmente uma canção composta para o grupo "Os Titulares do Ritmo", Passarinho fez umas adaptações na letra, que acabou se tornando o jingle popularmente conhecido como o "Melô do Sexo Anal". Ah, esse pessoal leva tudo por trás...

Quero ver
você não chorar
não olhar pra trás
nem se arrepender do que faz

Quero ver
o amor vencer
mas se a dor nascer
você resistir e sorrir

Se você
pode ser assim
tão enorme assim
eu vou crer

Que o Natal existe
que ninguém é triste
que no mundo há sempre amor

Bom Natal, um Feliz Natal
muito amor e paz pra você
pra VOCÊ...


Desgraçadamente este jingle ganhou nova versão interpretada por Zezé di Cams.

Hoje sei que tudo passa, embora eu ainda durma
com memórias teimosas e perfumes apócrifos.
Recordo com gosto doce de espelhos na boca
tua pele, teu sexo, teu cheiro, teu sol.

O tempo é turvo. O tempo é turvo.
Mastiga utopias, cospe sementes de névoa,
esparge fagulhas de luz no passado
- brinquedo mimado nas mãos do acaso.

Mas não quero mais ser racional.
Deitado dentro de mim, hoje evoco
o momento único em que te encontrei,

e já começava a te perder.

(São Paulo - novembro 1999/ janeiro 2000)

Escrito por Inagaki às 06h13
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Este blog não costuma publicar fotos salientes (e calientes) de mocinhas incautas. Contudo, desta vez fui obrigado a abrir uma exceção, para atender a uma justíssima queixa do leitor Marcelo V., que nos comentários do post anterior escreveu o seguinte:

"Esse negócio de citar mulher gostosa (ou, ipsis litteris, gostooooosa) e não colocar pelo menos um link para uma foto da dita cuja em seu esplendor me dá nos nervos. Quem diabos é Patricia Silveira?"

Mr. Valetta, a mulher em questão estrelou os comerciais da cerveja Antarctica. Mas, como o clichê de que uma imagem vale por mil palavras é verdadeiro, eis a foto da mocinha em todo o seu esplendor:



Espero que o imbróglio tenha sido resolvido de modo satisfatório. :)

Escrito por Inagaki às 05h49
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