Pensar Enlouquece. Pense Nisto.



Você dá a essa pessoa um pedaço seu. E ela nem pediu. Um dia, faz alguma coisa boba como beijar você ou sorrir. E, de repente, sua vida não lhe pertence mais. O amor faz reféns. (Neil Gaiman) Certas coisas obrigam a gente a parar tudo o que está fazendo para pensar um pouco na vida. Um exemplo? A edição online do livro "A Árvore Generosa", escrito por Shel Silverstein e adaptado por Fernando Sabino, na qual esbarrei graças a uma dica preciosa da Cacau, do blog c'est la vie. Poucas vezes encontrei uma descrição tão doída, e sincera, e singela, a respeito da natureza do Amor (tão generoso, tão egoísta).

Da literatura, transito para outro motivo fundamental para nossa existência: música. Neste agonizante 2002, dois foram os álbuns que deixaram meus tímpanos boquiabertos até agora. O primeiro é "Sea Change", nono álbum gravado pelo enfant terrible do pop-rock estaduninense, Mr. Beck Hansen. Auxiliado pelo produtor Nigel Godrich (o mesmo de "OK Computer", do Radiohead), Beck emula em "Sea Change" o espírito de compositores como Hank Williams, Neil Young e Jeff Buckley, ao cunhar um álbum repleto de canções rasgantes sobre o mesmo eterno tema da música pop: desilusões amorosas. Quem conhece Beck por sucessos como "Loser" e "Devil's Haircut" vai se surpreender ao conhecer sua veia lírica em pequenas jóias como "Lonesome Tears" (que recorda os melhores momentos do duo francês Air), "Round the Bend" (seu arranjo de cordas me remeteu a "Way to Blue", de Nick Drake) e "Guess I'm Doing Fine".

O segundo predileto da casa é "Hate", dos Delgados, grupo escocês surgido em 1994. Os Delgados são, simplesmente, a banda que o Belle and Sebastian gostaria de ser quando crescer. Seus arranjos ricos em detalhes, que amalgamam influências eletrônicas com arranjos de cordas, assim como os duetos inebriantes entre as vozes de Emma Pollock e Alun Woodward, fazem de "Hate" intacto deleite para os ouvidos (aliás, não apenas este: todos os álbuns anteriores do grupo são imperdíveis). Vasculhe a Web em busca de faixas como "The Light Before the Land" e "Coming In From The Cold", e depois ouse duvidar do que digo: The Delgados é uma das cinco melhores bandas da atualidade (Mercury Rev e Massive Attack estão nesse meu Top 5).

(Em tempo: lamento profundamente o fim do Scream & Yell, e-zine capitaneado pelo grande Marcelo Costa. Ano passado participei da votação dos melhores de 2001, e tive o prazer de elencar álbuns como "All is Dream", do Mercury Rev, "Acústico MTV", do Roberto Carlos, e "Reveal", do R.E.M., como os destaques musicais do ano.)

Escrito por Inagaki às 23h05
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Outro dia o Repórter Mosca qualificou de "abominável" o uso freqüente da expressão "encarando o problema de frente", questionando se é possível enfrentar alguma situação de costas. Bem, cumpadi Fausto, que dá, dá. Depende apenas da conotação desse verbo "dar"... :P

Mas existem outras expressões da língua portuguesa que me deixam mais estupefato ainda. Por exemplo: "correr atrás do prejuízo". Cáspite, a gente não deveria correr atrás dos lucros? Outra: "convivem juntos". Um exemplo contumaz de redundância redundante, ao lado de outras expressões tão ao gosto dos jornalistas de plantão, como "repetir o mesmo time", "monopólio exclusivo", "viúva do finado marido", "há alguns dias atrás"...

Contudo, sejamos justos: letristas também incorrem no mesmo crime. Vide o compositor daquela antológica versão perpetrada pelos irmãos Sandyjúnior: "o que é imortal/ não morre no final".

Escrito por Inagaki às 02h24
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Vai me dizer que você não mistura leite com manga... O mundo é repleto de mistérios. Não posso compreender, por exemplo, por que cargas d'água há pessoas que acreditam que uma colher enfiada no gargalo de uma garrafa impede o gás do refrigerante de escapar. Imagino que sejam os mesmos incautos que passam correntes do tipo "envie este e-mail a vinte trouxas, caso contrário sua ex-namorada irá ao Programa do Ratinho pedir exame de DNA, você descobrirá que a seqüestradora do Pedrinho é a sua verdadeira mãe biológica e um bando de ativistas do PETA invadirá sua casa protestando contra seus chinelinhos do Garfield". Nietzsche já dizia que o homem prefere acreditar no nada a acreditar em nada, mas assim também é demais.

Àqueles que se vêem tão perplexos quanto eu com as crendices alheias, uma dica de site: escrevam para o Projeto Burrice Artificial, "ambiciosa" pesquisa científica cuja meta é o desenvolvimento de um software capaz de esclarecer enigmas que permanecem desafiando o conhecimento humano. Por exemplo, para tentar descobrir por que as pessoas apertam várias vezes o botão do elevador pra ver se ele vem mais rápido, ou por que elas baixam o volume do rádio do carro quando procuram por um endereço na rua em que trafegam.

Tem cada uma que parece duas...

Escrito por Inagaki às 01h54
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Quando eu era um garoto ingênuo (hoje em dia sou apenas um pré-balzaquiano ingênuo) e pensava em seguir carreira musical, eu compunha músicas com títulos como "Xipófagos de Amor". Puro romantismo. Era uma época em que ouvia, em minhas madrugadas insones, um programa de rádio apresentado por um certo Paulinho Boca, o locutor mais canastrão de todos os tempos. Jamais esqueci de uma frase proferida em meio a sucessos de Billy Joel, Bonnie Tyler e Phil Collins:

- Sou apenas um satélite circulando em torno do planeta chamado Amor...

Qual seria a sua reação se você recebesse uma cantada dessas?

Escrito por Inagaki às 21h53
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Versos antológicos da MPB elucubrando sobre esse tal planeta:

O amor é um bichinho
Que rói, rói, rói
Rói o coração da gente
E dói dói dói


Essa música é da Carmem Costa. E eu juro que não tenho nada a ver com isso. :)

P.S. : atendendo ao clamor geral, este é o primeiro post publicado originalmente com letras maiores. Que tal o resultado?

Escrito por Inagaki às 21h52
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DICA DA SEMANA

Já escrevi sobre este site no editorial do Spam Zine 070, mas a página é tão sensacional que não resisti a voltar ao assunto. O Frank's Vinyl Museum é um sítio dedicado aos discos mais bizarros de todos os tempos. Só vendo (e ouvindo) para crer. A seguir, alguns exemplares do museu.



Quando Lennon & McCartney compuseram os sucessos dos Beatles, jamais poderiam imaginar que suas canções merecessem regravações tão bizarras. Clique nas capas de disco acima e confira com seus próprios ouvidos as covers de "A Hard Day's Night", interpretada pela simpática senhora Elva Miller (de Claremont, California), e "I Want to Hold Your Hand", na regravação em forma de ópera (!!!!) da "madame" Cathy Berberian.



A primeira capa já diz tudo. Trata-se da trilha sonora dos Banana Splits, seriado pra lá de trash produzido pelos estúdios Hanna & Barbera no final dos 60s. Atire a primeira pedra (ou o primeiro mouse) quem nunca cantarolou "The Tra-La-La Song"... À direita, outro exemplar pra lá de bizarro: a Pantera Cor-de-Rosa cantando baladas country. Prova contumaz de que a Pantera, assim como Tom, Jerry e outros personagens clássicos dos cartoons, jamais deveria ter aberto a boca.



Telly Savalas, notabilizado pelo papel-título do seriado Kojak (e hoje em dia mais conhecido por ter sido o padrinho de Jennifer Aniston, a Rachel do sitcom Friends), quem diria, também cantava. Ou melhor, tentava. Por outro lado, William Shatner, o intérprete pra lá de canastrão do Capitão Kirk no seriado Jornada nas Estrelas, não disfarça sua inaptidão vocal no álbum que gravou. Preferiu investir em seus dotes "dramáticos" e recita textos da literatura universal em seu disco. Ouça esta pérola, e tente não cair na gargalhada.



Acredite se puder: o disco à esquerda, de Herb Alpert, é um dos mais vendidos em toda a história dos álbuns de rotação 33 1/3, ao lado de "Sgt. Pepper" dos Beatles. Os méritos vão, em grande parte, para a capa com a mocinha incauta toda lambuzada de chantily. É claro que uma imagem antológica não tardaria a ser satirizada, como atesta a bizarra versão à direita protagonizada pelo humorista Pat Cooper.



Para encerrar com chave de ouro (?), duas sensacionais compilações de covers à base de Moogs, sintetizadores muito em voga nos anos 60 e 70: bizarro é pouco. Por sorte, anos depois o grupo alemão Kraftwerk chegou e tornou a música eletrônica uma coisa palatável. De qualquer modo, ficam registrados na poeira da História discos como Moog! e Everything You Always Wanted to Hear on the Moog, que mostram o que não se deve fazer em termos musicais.

Escrito por Inagaki às 02h22
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Quando eu soube que o iBest daria um prêmio de R$ 20 mil, confesso: me empolguei e inscrevi este blog na competição. Depois é que me toquei que eu não teria a menor chance de ganhar essa bolada, e nem mereceria. Se fossem adotados unicamente critérios de qualidade, blogs como ¢AtaRrO vE®De, Mundo Perfeito, puragoiaba, Caderno Mágico do Dennis e O Polzonoff (só para citar cinco) disputariam clique a clique essa graninha. Mas como os autores destas páginas tinham mais o que fazer, não se inscreveram no iBest.

De qualquer modo "quem está na chuva é para se queimar", como diria Vicente Matheus. O internauta que quiser me dar uma forcinha deve clicar aqui para votar em Pensar Enlouquece. Esta casa penhorada agradece antecipadamente seus apoios, e também aos (ir)responsáveis pelos sites bad's blogue, Blogus e A vida moderna de Jaspion, que votaram em mim ao por ter sido o padrinho de Jennifer Aniston, a Rachel do sitcom Friends), quem diria, também cantava. Ou melhor, tentava. Por outro lado, William Shatner, o intérprete pra lá de canastrão do Capitão Kirk no seriado Jornada nas Estrelas, não disfarça sua inaptidão vocal no álbum que gravou. Preferiu investir em seus dotes "dramáticos" e recita textos da literatura universal em seu disco. Ouça esta pérola, e tente não cair na gargalhada.



Acredite se puder: o disco à esquerda, de Herb Alpert, é um dos mais vendidos em toda a história dos álbuns de rotação 33 1/3, ao lado de "Sgt. Pepper" dos Beatles. Os méritos vão, em grande parte, para a capa com a mocinha incauta toda lambuzada de chantily. É claro que uma imagem antológica não tardaria a ser satirizada, como atesta a bizarra versão à direita protagonizada pelo humorista Pat Cooper.



Para encerrar com chave de ouro (?), duas sensacionais compilações de covers à base de Moogs, sintetizadores muito em voga nos anos 60 e 70: bizarro é pouco. Por sorte, anos depois o grupo alemão Kraftwerk chegou e tornou a música eletntes mesmo que eu divulgasse minha participação quixotesca nesta premiação.

Em tempo: cada internauta pode votar em até três blogs nesta categoria. Eu escolhi o InterNey e o Final do Fuzo para me fazerem companhia.

Escrito por Inagaki às 22h11
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Às Vezes Sempre


Às vezes as idéias pululam em minha cabeça como turistas desavisados descalços saltitando pelas areias estupidamente quentes de Ipanema.

Às vezes imagino como seria melhor se eu tivesse a capacidade dos budistas de libertar a mente de qualquer pensamento, mergulhar fundo em um mantra e flutuar na paz branca e translúcida de quem medita, hare hare aouuummmmm...

Às vezes penso muito, penso penso penso DEMAIS, centenas e centenas de pensamentos simultâneos ricocheteando pelos sete buracos da minha cabeça, zunindo feito papa-léguas pelo grand canyon dentro de mim, e me perco inutilmente tentando alcançá-los.

Às vezes chego a uma conclusão definitiva. Mudo de idéia trinta segundos depois.

Às vezes concebo Setenta Cavalos Alados Parindo Luzes Dodecafônicas pelo Céu de Liverpool Enquanto um Mulher de Beleza Exata Como os Quadrados de Mondrian Pisoteia Baratas Kafkianas Afiliadas à Liga das Pamonhas de Piracicaba Dissidentes Daquelas que Sonhavam com a Conquista da República de Vladivostok Entre Tabuleiros Sanguinolentos de War e Reproduções em Silk-Screen do Vice-Presidente do Reino Utópico dos Amantes Crucificados Que Se Flagelavam Enquanto Assobiavam Canções Empoeiradas de Cavaleiros Medievais Embevecidos com as Imagens Vagas de Ninfetas de Elevador Trajando Calças M. Officer e Saias com a Estampa Transcendental dos Pescoços de Modigliani.

Às vezes entupo minhas narrativas com piadas inconseqüentes, metáforas rebuscadas, digressões gratuitas, de forma que me esqueço completamente do que estava escrevendo, e aí jogo tudo fora e deixo só as piadas.

Às vezes penso que deve haver um inferno ao qual são condenados todos os idiotas que deixaram um amor morrer, e eu, com certeza, serei flambado num caldeirão ad eternum, ouvindo Backshit Boys e assistindo a programas evangélicos no canal comunitário do limbo.

Às vezes meses parecem dias. Planos de anos são utopias.

Às vezes tartamudeio, gaguejo, vocifero, liquefaço, justaponho, defeco, repito, repito, latejo, trompeteio, esporro, grogrolejo, tremeluzo, redescubro, alicio palavras; depois, reescrevo-as.

(escrito originalmente em 30 de setembro de 1999.)

Escrito por Inagaki às 21h10
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