Pensar Enlouquece. Pense Nisto.



Os Simpsons chegam, este ano, à sua décima quarta temporada e ao episódio número 300, que será exibido dia 10 de novembro na Fox americana, trazendo como convidados especiais Mick Jagger, Keith Richards, Tom Petty, Elvis Costello, Lenny Kravitz e Brian Setzer (eles interpretam professores de uma certa "Rock & Roll Fantasy Camp").

Para celebrar a ocasião, a revista Rolling Stone publicou matéria de capa com os Simpsons, e pediu ao seu criador, Matt Groening, para que desenhasse paródias de alguns dos mais importantes álbuns da história do rock n'roll. O resultado ficou simplesmente sensacional. Confiram abaixo, respectivamente, a cover e a versão original das capas de "Born in the USA" (1985), de Bruce Springsteen, "Aladdin Sane" (1973), de David Bowie, "Abbey Road" (1969), dos Beatles, e "Nevermind" (1991), do Nirvana.










Escrito por Inagaki às 04h26
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Sete Faces


I

Amar fragiliza
Mais do que eu gostaria de sentir
Mais do que eu me permitiria
Admitir.

Antes eu era mais livre
Mais estúpido
Mais inocente
Quiçá mais feliz.

Agora estou em tuas mãos:
Sentes o peso?
Sentes minhas aflições?
Minhas angústias caladas?

Estou em tuas mãos:
Estou tão frágil,
Estou mais feliz,
Mais temeroso deste mundo.

Cuida bem de ti,
Cuida bem de mim.
Porque já não sei me cuidar.

Cuida bem do meu coração
Que está atrelado ao teu riso;
Quando vigio teu sono
Tenho toda a paz do mundo.

Cuida bem de ti, meu amor,
Que já não sei mais
Viver sem teus olhos.

Amor tem sete faces,
e todas me amedrontam.
O mundo, sete mil faces,
e só uma me ilumina.

Escrito por Inagaki às 04h20
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II

Vida:
piada amarga que ri de nós.

Amor:
válvula de escape à qual recorremos com desespero e esperança.

Escrito por Inagaki às 04h20
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III

Três palavras tão repetidas,
tão banalizadas.
Por que me é tão difícil dizê-las?

Escrito por Inagaki às 04h19
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IV

Somos náufragos do mesmo barco
Anjos traídos em busca da mesma cruz
Duas cabeças ocas que não pensam
Que buscam pela mesma efêmera bênção

Gestos gastos e mal fingidos
Sempre as mesmas rimas e metáforas
Piadas ridas, beijos babados
Como ecos vagos, vácuos de passado

Nossos olhos estão prenhes de farpas
Faíscas que rebrilham em gumes de frases
Vagas rompendo com falésias e mares
Traduzidas em francas ironias lapidares

Com amarga sabedoria e dissabor
Constatamos quão vãs foram nossas palavras
Míticas mímicas, joguetes do amor
Que nos enredou em trevas e trovas

Compositores da mesma canção
Dançarinos da mesma coreografia
Amantes no mesmo colchão
Sorrisos na mesma fotografia

Parceiros da mesma eterna solidão

Escrito por Inagaki às 04h19
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V

Noites de insônia e ciúmes estúpidos.
Promessas, promessas voláteis e inúteis.
Floian Setzer (eles interpretam professores de uma certa "Rock & Roll Fantasy Camp").

Para celebrar a ocasião, a revista Rolling Stone publicou matéria de capa com os Simpsons, e pediu ao seu criador, Matt Groening, para que desenhasse paródias de alguns dos mais importantes álbuns da história do rock n'roll. O resultado ficou simplesmente sensacional. Confiram abaixo, respectivamente, a cover e a versão original das capas de "Born in the USA" (1985), de Bruce Springsteen, "Aladdin Sane" (1973), de David Bowie, "Abbey Road"res. Bombons. Jantares. Motéis. Traições.
Vozes enferrujadas:
- Você me ama? Você me ama? Você me ama?
O terror indelével das desculpas decoradas:
- Você merece alguém melhor. Não quero estragar nossa amizade.
O sofrimento descascando, despojando o coração.

Amor é um disco riscado de blues.
Amor arma a arapuca, esfrega as mãos, afia os dentes.
Amor faz de nossos corações marionetes,
e gelatina de nossos cérebros.
Amor é foda.

O mundo não é para inocentes.

Escrito por Inagaki às 04h18
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VI

Eterno o tempo inscrito no centro do teu olhar verde prata e céu
Beleza que ao tempo desacata o teu sorriso sombra de um véu
Desenho de giz o vento apagou mas e a cicatriz de um amor?
Restrito jogo sem regra ou juiz que fere alegra seduz desnorteia
Feliz de quem resistir decifrar tua teia estrela em noite negra

Escrito por Inagaki às 04h18
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Tribalistas. Certamente vocês já ouviram a música de trabalho do indefectível trio Antunes/Brown/Monte, "Já Sei Namorar":

Eu sou de ninguém
Eu sou de todo mundo
E todo mundo me quer bem
Eu sou de ninguém
Eu sou de todo mundo
E todo mundo é meu também
To te querendo como ninguém
To te querendo como Deus quiser
To te querendo como eu te quero
To te querendo como se quer


Em outros termos: pop-cabeça esteticamente correto, mas que não passa de uma ode à putaria com verniz intelectualóide. Discordam? Então leiam este trecho de entrevista concedida por Carlinhos Brown no site do trio:

Brown - O fato de existir um conjunto entre os tribalistas, que é a afinação total e química, traz para o pensamento de equipe a contribuição de um com outro... termina fazendo um novo artífice que não são os três e os três não fariam isso separadamente, o que fosse cada um. Isso é uma soma dos três, que é um... que é o tribalista.

Sei lá, bicho... mil coisas. Chego à conclusão de que, a nível de conceito neo-tropicalista enquanto fomento de uma mentalidade capaz de agregar valor performático a um ménage à trois musical, esse amálgama da tabela de Linus-Pauling com o romance de Alexandre Dumas representa um revival estilístico dos happenings da Pop Art, fundamental para a compreensão ulterior dos trocadilhos concretistas a la Macha Fêmeo (a nível de Omelete Man, veja bem), sintetizando, enfim, tuuuudo de bom que rola na neo-MPB. Porque tudo é tudo, e nada é nada. Ou não.

Escrito por Inagaki às 03h38
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É brincadeira? Cumpadi Claudio Cremilson me mandou e-mail avisando da patacoada que a governadora eleita do Rio Rosinha Garotinho aprontou. Mauro Rasi e Artur Xexéo, colunistas do jornal O Globo, estão sendo processados pela esposa do Anthony. O crime deles? Enquanto Rasi comentou en passant que dona Rosinha daria um "passa-fora" no marido após assumir o poder, Xexéo sugeriu que o futuro governo carioca implantasse um programa de chapinha e alisamento japonês a R$ 1,00, ironizando a veia popular-demagógica do clã Garotinho. Como resultado, estão respondendo a processos movidos com a clara intenção de intimidar futuras críticas ao governo carioca. Preocupante: há menos de um mês, o Correio Braziliense foi vítima de censura prévia, imposta por uma ação movida pelo governador reeleito do Distrito Federal Joaquim Roriz. E agora essa: pfuf.

Ironicamente, escrevi há dois dias post em que discorria a respeito da importância das crônicas no jornalismo diário. Ao comentar com humor e lirismo os fatos do cotidiano, cronistas como Artur Xexéo e Mauro Rasi aproximam do leitor as notícias que movem o mundo (talvez seja isso que tenha incomodado tanto D. Rosinha). Pois é: a atitude autoritária cometida pela Sra. Garotinho mostra o poder que uma pena afiada ainda possui. E prova que, apesar do momento democrático que vivemos com a tranqüila transição presidencial entre os governos FHC e Lula, é preciso, mais do que nunca, vigiar de perto todas as tentativas de cerceamento da liberdade de expressão.

Cora Rónai está organizando um abaixo-assinado em repúdio à atitude intempestiva da Sra. Garotinho. Os interessados em subscrever este protesto podem participar informando seu nome, profissão e número de identidade nos comentários do blog da Cora: participe você também.

UPDATE: Fernando Pedreira e Arnaldo Jabor também estão sendo processados. Quem será o próximo?

Escrito por Inagaki às 01h10
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Nas curvas do teu corpo capotei meu coração

Outro dia me perguntaram o porquê do nome do blog. Seguinte: li essa frase ("pensar enlouquece, pense nisto") estampada em um pára-choque de caminhão, e a empatia com minha filosofia pessoal foi imediata. Sempre tive o hábito, aliás, de anotar em papéis os pára-choques mais curiosos, engraçados e inusitados que encontrava - seja em ruas, estradas ou naquela seção da revista Quatro Rodas.

O que mais admiro nesses pára-choques são os seus insights espirituosos, desprovidos de intelectualismos e cabecices. Sem baboseiras politicamente corretas, expressam "na lata" o pensamento vivo de quem os criou. A seguir, eis alguns dos aforismos desaforados que anotei nestes anos. A quem colecionar mais destas pérolas das estradas, peço um favor: compartilhe-as com este que vos escreve...


Fulano é mais inútil que pente do Kojak e mais perigoso que Pinóquio fazendo 69.

*

Se a morte for um descanso, prefiro viver cansado.

*

Beijo não mata a fome, mas abre o apetite.

*

Homem é como lata: uma chuta, outra cata.

*

Mulher é igual biscoito: vai uma, vêm dezoito.

*

Se sonhar que te esqueci, pode rezar que eu já morri.

*

Hoje tem que ser uma rapidinha porque o frete é perecível.

*

Senhor, eu não sou nada neste mundo, mas sou o mundo de alguém.

*

Mulher de amigo meu é que nem cebola: como chorando.

*

Chega de homenagens. Eu quero o dinheiro.

*

Nasci careca, pelado e sem dente. O que vier é lucro!

*

Ontem eu sonhava com o futuro. Hoje não consigo pegar no sono.

*

Não tenho vícios. Só bebo e fumo quando jogo.

*

A calcinha não é a melhor coisa do mundo, mas está bem perto.

*

É fazendo muita merda que se aduba a vida.


Escrito por Inagaki às 02h06
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Feios, sujos e, principalmente, malvados.

Com "apenas" três semanas de atraso, li hoje e-mail de André Dahmer, colaborador do Lance! (onde é colega do graaaaaande Gustavo de Almeida) e (ir) responsável por uma ótima tira atualizada diariamente: Malvados. Recomendo fortemente um pulo até lá (depois te passo o número da minha conta, André).

Escrito por Inagaki às 00h11
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Tenho a nítida sensação de que perdi uma hora da minha vida. Pior: do meu final de semana.

Escrito por Inagaki às 07h47
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O papel das crônicas


Somos bombardeados, diariamente, por toda uma gama de notícias: seqüestros, chacinas, CPIs, escândalos, gossips envolvendo a vida dos "ricos e famosos", terremotos, aumento de impostos, etc etc. Tantos dados confundem, dispersam, afastam o leitor. Será que jornais só publicam notícias ruins? Em meio à era da informação, o problema não é mais de falta, mas sim de excesso de notícias que recebemos. Hoje em dia informa-se melhor quem sabe filtrar o que lhe realmente interessa em meio ao dilúvio de dados que nos é descarregada.

É preciso respirar. E é por isso que as crônicas ainda possuem papel tão importante dentro de um jornal. Tal espaço, antigamente ocupado por escritores do porte de Fernando Sabino, Rubem Braga, Paulo Mendes Campos, Clarice Lispector e Nélson Rodrigues, e que hoje em dia é destinado a autores como Mário Prata, José Castello, Tutty Vasques e Carlos Heitor Cony, representa uma pausa mais do que bem-vinda à metralhadora giratória das notícias do dia-a-dia. Porque acrescentam humor e lirismo à objetividade de leads e infográficos. E, mais do que isso, trazem ao jornal o espírito das narrativas literárias (segundo a definição de Luis Fernando Veríssimo, crônica é "a forma jornalística da literatura ou a forma literária de jornalismo").

Tergiverso, tergiverso; movido pelo acaso e pela falta de assunto, inspiração-mor de muitas das melhores crônicas já escritas. Mas concluo dizendo o seguinte: por mais que eu seja viciado em informações, chega uma hora em que é preciso relaxar. E nessas horas, louvo aos céus pelas tiradas espirituosas de um Ivan Lessa, pelos insights luminosos de um Joaquim Ferreira dos Santos, pela veia lírica de um Rubem Alves. Para os leitores de jornais, é um bálsamo poder contar com o viés subjetivo desses cronistas. Porque jornalismo, mais do que a fria alinhavação de números, fatos e fotos, também é a arte de narrar histórias atraentes para o seu leitor. Gay Talese, Marcos Faerman e Samuel Wainer que o digam.

Escrito por Inagaki às 02h26
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Você está ocioso, desocupado, de bobeira e sem nada para fazer? Então não perca mais tempo! Visite http://inagaki.friendtest.com e faça um teste sobre este incauto que vos escreve. Você descobrirá tudo que sempre quis saber sobre Alexandre Inagaki, mas jamais ousou perguntar (ho, ho, ho!).

Escrito por Inagaki às 01h46
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