Pensar Enlouquece. Pense Nisto.



QUAL A COISA MAIS EMBARAÇOSA QUE VOCÊ JÁ FEZ NUM RESTAURANTE?

Na verdade, essa aconteceu em uma lanchonete. Estava eu com uma mocinha que estava paquerando há tempos, quando pedi um daqueles sanduíches de massa folhada com presunto e queijo. A tragédia aconteceu quando dei a segunda mordida. Simplesmente TODO o recheio saiu da massa, e ficou balançando feito pêndulo pra fora da minha boca. Jamais esqueci do olhar que ela me deu depois dessa pagação de King Kong.

Escrito por Inagaki às 22h01
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VOCÊ JÁ ROUBOU ALGO DE UMA LOJA? O QUÊ, E POR QUE RAZÃO?

Na minha época de moleque, eu e meu irmão adorávamos surrupiar Confeti, Mentex e outras porcariazinhas nas Lojas Americanas da vida, por três motivos básicos: a) falta de mesada; b) falta de vergonha na cara; e, c) tudo que é proibido é mais gostoso. Outra para meu currículo de delinqüente: roubei a primeira Playboy em que a Maitê Proença apareceu, porque não tinha idade suficiente para comprá-la.

Escrito por Inagaki às 21h51
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SE O MUNDO ACABASSE HOJE, O QUE VOCÊ FARIA NA ÚLTIMA HORA DE SUA VIDA?

Depois de uma descerebrada farra com os amigos, combinaria um novo encontro com a galera. Lá em cima, num sarau com Tom Jobim, Clarice Lispector e John Coltrane, ou no inferno, numa jam com Miles Davis, Jimi Hendrix, Robert Johnson e Renato Russo.

Escrito por Inagaki às 21h41
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QUAL SERÁ O SEU EPITÁFIO?

"Aqui, contra a vontade".

Escrito por Inagaki às 21h37
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SE VOCÊ SOUBESSE QUE NUNCA MAIS ESCUTAR MÚSICA DARIA A VOCÊ DEZ ANOS A MAIS DE VIDA, VOCÊ PARARIA?

Nem morto.

Escrito por Inagaki às 21h36
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DÊ CINCO EXEMPLOS DE SITUAÇÕES QUE TE DEIXAM FELIZ.

1 - fazer uma mulher sorrir;
2 - ver o meu Bugrão fazer gol;
3 - encontrar os amigos e falar muita besteira;
4 - receber elogios fundamentados por alguma coisa que escrevi, ou por alguns dos meus trabalhos;
5 - fechar os olhos, ouvir boa música, receber uma lufada de brisa no meu rosto e viajar pra longe, bem longe...

Escrito por Inagaki às 21h35
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CITE TRÊS SITUAÇÕES QUE SERIAM MAIS ENGRAÇADAS COM A INCLUSÃO DE MACACOS.

1. Sessões de exorcismo da Igreja Universal.
2. Discussões nos programas da Márcia Goldschmidt ou João Kléber, do tipo "meu filho é gay", "apanho do meu marido e gosto", ou "tenho um caso com minha sogra".
3. Shows performáticos do Arnaldo Antunes.

Escrito por Inagaki às 21h34
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QUAL É O PERSONAGEM DE QUADRINHOS MAIS CHATO DE TODOS OS TEMPOS?

Da Disney, merecem citação o Coronel Cintra (policial bundão que só conseguia resolver casos com a ajuda do Mickey) e o Esquálidus. Da Turma da Mônica, há o Nico Demo e o Xaveco, que nunca disseram a que vieram. Por fim, destaque especial para Olívia Palito, uma magrela sem-vergonha e totalmente dependente dos homens; qualquer probleminha, já berrava "socorro Popeye", pra depois ficar se insinuando para o Brutus.

Escrito por Inagaki às 21h34
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SE VOCÊ PUDESSE FAZER UM LIVRO, FILME OU MUSICA CHEGAR À MÃO DE TODAS PESSOAS DO MUNDO QUANDO ELAS FIZESSEM 13 ANOS, QUE LIVRO/FILME/MÚSICA SERIA?

Um livro: "Crime e Castigo", de Dostoiévski. Um filme: "Os Sete Samurais", do Kurosawa. Uma música: "In My Life", dos Beatles.

Escrito por Inagaki às 21h34
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QUAL FOI A PIOR INVENÇÃO DO SÉCULO 20?

Muita coisa merecia ser citada, mas vou destacar: bomba atômica, refrigerante Convenção sabor abacaxi, e-mails com correntes, Windows 95, campos de concentração, filmes com Chuck Norris, comerciais de 1406 e a cerveja Malt 90.

Escrito por Inagaki às 21h34
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FALE SOBRE SEUS ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO. SE NÃO POSSUI UM, INVENTE.

Tenho um ornitorrinco chamado Epifânio que gosta de ouvir música dodecafônica e sofre de gases, e uma lagartixa, a Leda Zeppelin, que possui sexualidade meio indefinida e uiva nas noites de lua minguante.

Escrito por Inagaki às 21h33
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The Shipping News: muita estrela pra pouca constelação.

MENINOS EU VI

The Shipping News (01/10/2002 - Frei Caneca Unibanco Artplex - Sala 2)

Antes de escrever sobre o filme, é preciso falar sobre como fui parar em sua pré-estréia. Ganhei três convites ofertados pela Marlboro Best Movies, um evento promovido pela Philip Morris no qual você ganha ingressos de cinema e ainda participa de uma tremenda boca-livre, com direito a acepipes diversos, drinques (incluindo o fatídico sex on the beach), pipoca, refrigerantes, exemplares da revista SET, pôster do filme e sorrisos convidativos das belas recepcionistas. Tudo que você precisa para faturar essa mamata cinéfila é conhecer alguém que já participou do evento, e retirar com ele um questionário a ser preenchido.

Na primeira vez que participei, assisti a um excelente filme israelense: Casamento Arranjado, do diretor estreante Dover Koshashvili. Mas o detalhe que me chamou a atenção, mais do que os méritos de um dos melhores filmes que vi este ano, foi a precisão na escolha do longa. Afinal, depois de ter me deleitado com vinho e sex on the beach à vontade, me deparei com um filme que logo na primeira seqüência exibia um homem tragando seu cigarro, e que meia hora depois brindava a platéia com uma das seqüências mais realistas de sexo que vi nos últimos tempos. Mas que maravilha é o tão propalado "mundo de Marlboro", não? Uma deslavada incitação ao prazer proporcionado pelos vícios desta vida: comer, beber, fumar, foder e ver filmes!

Bem, depois dessa, é claro que fiquei mais do que interessado em participar das próximas pré-estréias; e tratei de retirar a ficha de inscrição com uma das recepcionistas. Porém, havia um detalhe importante: o pré-requisito fundamental é ter mais de 18 anos e ser fumante. Do alto de minha condição de convicto anti-tabagista, jamais poderia participar desse evento. Mas, enquanto preenchia a ficha, pensei comigo mesmo: depois de anos tendo que aturar o fumacê alheio, nada mais justo do que receber uma compensaçãozinha, não? Preenchi, pois, o questionário com a maior das convicções, destacando minha condição de fumante (passivo) e ressaltando minha predileção pela marca Marlboro (ao menos até que a Souza Cruz invente algo melhor para promover o Free). Não deu outra: em uma semana recebi em casa os convites para a pré-estréia.

(a seguir: o filme.)

Escrito por Inagaki às 22h19
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RÁPIDAS RASTEIRAS

- Celebrou-se muito o fato das urnas terem enviado para o merecido limbo dinossauros da polititica como Paulo Maluf, Iris Rezende, Newton Cardoso, Fernando Collor e Orestes Quércia. Menos, Batista, menos. Em contrapartida, a Bahia reelegeu ACM, a.k.a. Toninho Malvadeza, para o Senado. Jáder, o Barbalho, foi reconduzido a Brasília pelos eleitores paraenses. São Paulo consagrou Enéas 56 com 1,5 milhão de votos, e de quebra mandou para a Assembléia Legislativa Coronel Ubiratan, o (ir)responsável pela ação que matou 111 homens na rebelião do Carandiru. O Rio de Janeiro elegeu Rosinha Garotinho, governadorazinha de dois diminutivos, e ainda destinou oito anos de Senado ao bispo Crivella. Pergunto: devemos comemorar o quê, cara pálida?

- Ainda falando no Enéas, o homem da bomba atômica brasileira, sua expressiva votação arrastará consigo mais cinco candidatos do PRONA. Dentre eles, fulgura o nome de Vanderlei Assis, que entra para a História como o deputado federal eleito com a menor quantidade de votos: 275 (quase o tamanho da torcida do XV de Jaú). Inacreditável: São Paulo, estado com mais de 25 milhões de eleitores, possui 70 representantes na Câmara de Deputados. Graças aos incautos imbecis que votaram em Enéas com a justificativa de ser um "voto de protesto", quase 10% de seus representantes na Câmara sairão desse PRONA. Que belesma!

- Recordar é viver. Enéas Carneiro saiu do anonimato graças a uma entrevista dada no Jô Soares Onze e Meia. Eu assisti a esse programa. Chamado pela produção do Jô por ser um dos inúmeros candidatos nanicos à Presidência em 1989 (ao lado de sumidades como Marronzinho do PSP, Celso Brant do PMN e Livia Maria do PN), Enéas arrancou-me boas risadas, por conta de sua dicção peculiar e de uma performance em que mediu as batidas cardíacas do Derico (doutor Enéas é cardiologista). Essa foi a impressão deixada pelo programa: um cara engraçado e inofensivo. Anos depois sua verdadeira face foi se revelando: um homem autorum diretor mediano. Cooptado pela Miramax, especializou-se em cunhar filmes edificantes e edulcorados, temperados com breves pitadas de realismo mágico, do jeitinho que a Academia de Hollywood gosta. Não me desmentem Regras da Vida (The Cider House Rules, de 1999) e Chocolate, de 2000, dois típicos exemplares do cinema "bonitinho" que Hollywood taxa como sendo "artístico". A despeito do inequívoco talento que Hallström possui para a direção de atores, seus filmes mais recentes são a prova inconteste do mal que a indústria cultural faz ao cooptar genuínos talentos para a sua máquina de pasteurização da sétima arte.

Aconteceu o mesmo com The Shipping News. O filme, adaptação do romance de E. Annie Proulx (vencedor do Prêmio Pulitzer), narra a história de R. G. Quoyle (Kevin Spacey), homem atormentado por traumas de infância e frustrações amorosas, que encontrará a redenção pessoal (oh!) ao reencontrar as origens de sua família em Newfoundland, pequena cidade de pescadores no frio litoral do Canadá. O elenco cooptado pela Miramax é multiestelar, e conta com atores do porte de Juliane Moore, Cate Blanchett, Judi Dench e Pete Postlethwaite, todos com indicações anteriores ao Oscar. Tá tudo muito bom, tá tudo muito bem: a história é linearmente bem contada, as atuações são convincentes e os aspectos técnicos (fotografia, som, cenografia) estão impecáveis. E no entanto... a obra não alça vôo. The Shipping News nada mais é do que um arroz-com-feijão cinematográfico: um daqueles filmes que a gente assiste e se entretém, mas trata de esquecer tão logo termina a sessão. Não vai marcar a sua vida, mas também não suscitará ímpetos de pedir o dinheiro do ingresso de volta.

No balanço final, posso dizer que até curti o filme. Mais pelos drinques, provavelmente.

Escrito por Inagaki às 21h21
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RÁPIDAS RASTEIRAS

- Celebrou-se muito o fato das urnas terem enviado para o merecido limbo dinossauros da polititica como Paulo Maluf, Iris Rezende, Newton Cardoso, Fernando Collor e Orestes Quércia. Menos, Batista, menos. Em contrapartida, a Bahia reelegeu ACM, a.k.a. Toninho Malvadeza, para o Senado. Jáder, o Barbalho, foi reconduzido a Brasília pelos eleitores paraenses. São Paulo consagrou Enéas 56 com 1,5 milhão de votos, e de quebra mandou para a Assembléia Legislativa Coronel Ubiratan, o (ir)responsável pela ação que matou 111 homens na rebelião do Carandiru. O Rio de Janeiro elegeu Rosinha Garotinho, governadorazinha de dois diminutivos, e ainda destinou oito anos de Senado ao bispo Crivella. Pergunto: devemos comemorar o quê, cara pálida?

- Ainda falando no Enéas, o homem da bomba atômica brasileira, sua expressiva votação arrastará consigo mais cinco candidatos do PRONA. Dentre eles, fulgura o nome de Vanderlei Assis, que entra para a História como o deputado federal eleito com a menor quantidade de votos: 275 (quase o tamanho da torcida do XV de Jaú). Inacreditável: São Paulo, estado com mais de 25 milhões de eleitores, possitário, defensor da "tradição, família e propriedade" e da bomba atômica, que foi arrebanhando votos literalmente na base do grito. Ah, que saudades de outros representantes do voto de protesto, como o rinoceronte Cacareco ou o Macaco Tião. Estes ao menos não elegeram SEIS deputados federais.

- Rôla, singelo codinome utilizado pelo candidato a deputado federal pelo PGT de Sergipe, teve 20.454 votos. Em grande parte, obtidos graças ao slogan de sua campanha: "O povo quer Rôla, Rôla neles!". Por pouco não faz companhia ao Jáder na Câmara Federal: daria uma dupla do Barbalho.

- Essas urnas eletrônicas e as malditas filas fomentadas por elas alimentaram o lado Unabomber que há dentro de mim. Ah, que saudades das cédulas de papel.

Escrito por Inagaki às 17h30
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Blog não dá dinheiro, mas as compensações que tenho recebido por conta dele merecem um momento Mastercard: não têm preço. A citação na coluna do Gravatá foi bacana, mas confesso que fiquei mais contente ao descobrir, dentre outras coisas, que:

- cumpadi André Rosa, mais conhecido como Marmota, colocou este blog como sendo seu pai virtual no BlogTree. Que tremenda responsa: agora preciso dar bons exemplos. Bem, desde que ele não me peça mesada...

- Daniela Abade me cita como inspirador de sua nova empreitada no Mundo Perfeito: a digitalização das tiras do Fradim, criação inesquecível de mestre Henfil.

- a mesma tira que postei logo abaixo rendeu ainda uma citação legal de Fausto Rêgo, a.k.a. Repórter Mosca. Bacana, bacana!

- este blog tem recebido visitas de internautas da mais fina estirpe.

Escrito por Inagaki às 16h19
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A Graúna de Henfil, sempre pertinente

Escrito por Inagaki às 13h15
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Palavras que deveriam existir
(editorial publicado originalmente no Spam Zine - edição 064)

Reza a lenda que os colonizadores ingleses, ao chegarem à Austrália, ficaram espantados em encontrar um estranho animal com uma bolsa na barriga que se locomovia dando largos pulos. O Capitão Cook mandou chamar um nativo e perguntou-lhe, usando gestos, qual era o nome daquele bicho. O aborígene respondeu: - Khan ghu ru, khan gu ru! Anos mais tarde, outros exploradores teriam descoberto o verdadeiro significado daquelas palavras. O índio, ao ver os sinais que lhe faziam os ingleses, teria dado uma resposta digna da Leka do primeiro Big Brother: - Não estou entendendo (ou seja, "khan ghu ru" no dialeto local).

Não é por nada não, mas esta história é engraçada demais para ser verídica, e me soa a lenda urbana. De qualquer modo, serve para ilustrar um assunto que sempre me interessou: etimologia, a ciência que estuda a origem das palavras. Por que chamamos o hipopótamo de "hipopótamo"? De onde cargas d'água surgiram vernáculos como "capicua", "ornitorrinco" e "vernáculo"?

Shakespeare, para variar, foi brilhante ao tergiversar sobre o assunto: "O que há em um nome?/ Pois aquilo que chamamos de rosa/ Por qualquer outro nome/ Exalaria o mesmo doce perfume". Quem já estudou lingüística sabe que palavras não passam de signos lingüísticos previamente convencionados por um sistema de sinais. Ou seja, partem de uma relação semelhante à dos sinais de trânsito, cuja lógica arbitrária faz com que vermelho signifique "pare" e verde, "prossiga" (a não ser que você seja daltônico).

Contudo, cada palavra que utilizamos no dia-a-dia tem a sua história, e reflete as evoluções culturais sofridas pela sociedade em que vivemos atualmente. Há quinze anos, quem imaginaria que palavras como "popozuda", "mouse" e "escanear" existiriam? Do mesmo modo, fico pensando se daqui a quinze anos meus filhos conhecerão o significado de substantivos como "vitrola" ou expressões como "futebol-arte".

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Escrito por Inagaki às 13h07
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Idiomas são organismos vivos, que refletem as mudanças do mundo ao seu redor. Necessitam, pois, incorporar diariamente novos jargões, neologismos e estrangeirismos ao seu repertório, para que possam sobreviver. Caso contrário, murcham e morrem, feito o latim e milhares de outras línguas e dialetos soterrados nestes séculos de civilização. Faz muito bem, pois, a última flor do Lácio, ao adaptar com ginga os anglicismos que vão sendo incorporados, pouco a pouco, por seus poucos e fiéis seguidores, nesta verdadeira bacanal lingüística: é assim que "whisky" virou uísque, e "Whoop! There It Is" (refrão de uma música do grupo americano Tag Team) se metamorfoseou no hino de todas as torcidas "uh tererê!".

Há um ótimo artigo, publicado na edição 56 da revista Bravo!, que também fala sobre este assunto. Dentre outras coisas, Sérgio Augusto, em um delicioso texto, cita algumas palavras que gostaria que fossem adotadas pela língua portuguesa. Por exemplo: Razbliuto, palavra russa que significa o sentimento carinhoso que nutrimos por uma pessoa que um dia amamos. Ou Mamihlapinatapei, vocábulo genial que pertence a um idioma indígena da Terra do Fogo. E que quer dizer, simplesmente, o "ato de olhar nos olhos do outro, na esperança de que o outro inicie o que ambos desejam mas nenhum tem coragem de começar". Depois dessa, só posso dizer uma coisa: uau!

Se bem que nós, poucos mas fiéis usuários deste quase-dialeto que é a língua portuguesa, podemos nos ufanar da síntese contida dentro desta pequena e maravilhosa palavra: saudade.

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Escrito por Inagaki às 13h05
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Palavras são misteriosas, palavras são esquivas. Principalmente aquelas que não existem, mas deveriam. Nunca sei o que dizer, por exemplo, a um amigo que sofreu uma pessoa querida: "sinto muito" me soa muito distante e vago. E o que dizer sobre aquele frio na barriga que surge na primeira vez em que vemos uma pessoa que entorpece nossa língua, tolda nossos sentidos, faz nossos ouvidos zumbirem e os olhos se boquiabrirem?

Há palavras e expressões que perderam o sentido de tanto serem repetidas. Um exemplo: existe frase mais banalizada do que "eu te amo"? Oras, Roberto Carlos diz isso à bola antes de uma cobrança de falta; Schumacher, ao Rubinho depois de uma marmelada ferrarista; Ozzy Osbourne, ao rock n' roll em cada episódio de seu reality-show; Jade, aos seus maridos e todos os personagens interpretados pelo Murilo Benício na novela das oito. Sábios eram os gregos, que possuíam quatro verbos para dizer amar: "erao", ligado estritamente ao amor erótico; "filéo", o amor de amizade, de querer bem ao outro, de gostar; "agapao", o amor ligado à satisfação de um desejo; e, finalmente, "stergo", o amor cujo impulso básico é a proteção do outro. Um amor como a dos pais por seus filhos - galinha protegendo a ninhada sob suas asas.

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Escrito por Inagaki às 13h04
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Agora entendo por que alguns colegas mantêm blogs secretos. Às vezes dá vontade de escrever coisas inconfessáveis. Alguns o fazem, até. Mas, à semelhança dos reality-shows, expõem verdades artificiais. Escamoteadas sob metáforas e citações pop, ou hiperbolicamente dramatizadas, de modo a atrair a atenção no meio do dilúvio de conteúdo gerado na Web.

Confessar-se em público tem lá as suas razões terapêuticas. É uma mensagem em uma garrafa jogada no mar virtual, à espera de alguém que se identifique com as mesmas dores. A mesma história de sempre, enfim: procuramos por nossos iguais. Nessas horas eu me lembro de uma colega de trabalho, que vivia perguntando aos outros:

- Você não está utores.com.br/scripts/detalhe.cfm?cod_livro=46036" target="_blank">O Desejo". É um volume que compila diversas conferências sobre o assunto do título, organizado pelo filósofo Adauto Novaes e publicado pela Companhia das Letras. Todos os textos são fascinantes, mas há um em especial que me marcou desde a primeira leitura, e que gerou em mim o interesse pela etimologia. É "Os Caminhos do Desejo", escrito pelo filólogo Flavio Di Giorgi; um artigo delicioso e muitíssimo bem-humorado, no qual ele relata as origens etimológicas da palavra "desejo". Que é proveniente do verbo latino desiderare, que por sua vez descende da palavra sidus, "estrela". Segundo a explicação de Di Giorgi, desiderare vem da linguagem dos adivinhos que tentavam interpretar o futuro em Roma. Que observavam os astros e tentavam decifrar o que iam acontecer. O ato de contemplar os astros chamava-se considerare, raiz do verbo "considerar" (ou seja, observar as estrelas e a partir delas extrair uma conclusão sobre os eventos futuros).

No entanto, e para quem está desesperado de tudo, feito eu depois que vejo meu extrato bancário? Aí os romanos falavam para o pobre coitado vislumbrar as estrelas em busca de algum alento, Mas o sujeito, desanimado da vida, dizia: "não adianta, estou perdido". Isso era desiderare, "desistir dos astros", isso é desejar: ter a certeza da ausência. Não tenho o que quero ou preciso, e por isso desisto de especular sobre o futuro. Tenho a consciência de que não possuo o que quero, e passo a tomar a atitude que me resta: desejar, porque passo a ter a certeza da ausência daquilo que não tenho. Reconheço a ausência, desencano de ficar mirando os astros, e sonho com a busca daquilo que me falta. Orbito, portanto, sob a esfera do desejo.

Fala sério: depois de uma explicação tão bonita, dá ou não vontade de passar a vida inteira estudando etimologia em busca de respostas como essas?

Escrito por Inagaki às 13h03
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Um tresoitão de tutti-frutti
Dica da semana: Expo Suquinhos.

É perfeitamente compreensível, embora tenha se tornado um tanto quanto sacal, o sucesso daqueles indefectíveis e-mails que a gente recebe de vez em sempre, falando dos anos 80. É Aquaplay pra lá, Caverna do Dragão pra cá. E tome reminiscências de cartuchos do Atari, filmes do John Hughes, desenhos de Hanna Barbera, novelas da Ivani Ribeiro. Tendemos a idealizar um passado áureo que, afinal de contas, não reluzia tanto assim.

Mas alguns itens de nossa memorabilia são de irresistível lembrança. Prova inconteste disso é esta página, verdadeiro achado arqueológico de Eduardo Foresti, o mesmo responsável pelo blog Chita e Jane.

Escrito por Inagaki às 10h12
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Voltamos com nossa programação normal.

Escrito por Inagaki às 10h12
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